sexta-feira, 8 de agosto de 2008

situação limite.


“JOGUE SUAS ARMAS A CASA ESTA CERCADA!” gritam do lado de fora.
“Daqui eu não saio nem morto”, pensa o sujeito e olha os reféns,
Quatro pessoas, cada uma com suas angustias que compartilham este cativeiro.
Uma senhora de idade se agarra ao rosário e se une ao seu Deus, e uma
Criança abraçada a mãe que chora em desespero olhando o homem armado
Andando feito louco pela sala. Se sentindo sem saída, sem esperança e sem solução.

A única luz dentro da casa é de uma televisão que esta passando o jornal
Que anuncia mais miséria, corrupção, tragédias mundo afora. Tudo
Muito longe. Mas o drama ali dentro é intenso, único e REAL demais para
Todos eles. O homem se agita, esta com a mente acelerada, sente a morto lhe
Mordendo os calcanhares. Hoje é seu dia. Dele não vai passar. Só com um milagre,
Mas nunca acreditou muito nisso. Começa o burburinho, é agora, vão invadir a casa.

Arrombam a porta, entram vários homens armados de metralhadoras automáticas.
Atiram em todos, no homem primeiro que cai sem disparar uma bala do seu revolver. Depois na mulher que grita em desespero sendo despedaçada pelas balas. A criança corre para o quarto mas é alvejada no meio do caminho. A velha senhora sentada numa poltrona é a ultima e morre segurando seu velho crucifixo. Os invasores verificam se não há mais ninguém. Não, não há. Saem felizes dizendo, mais um policial morto.

19:44
08/08/2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

comedia sem palhaços.


Você quer rir um pouco?
A melhor piada é dizer a verdade.
Esta é a mais divertida mas menos compreendida,
Pois é dura, cruel e difícil de ouvir.

Todos acham que agüentam, mas acho que não.
Na verdade a verdade é como nós a vemos,
Então cada um tem a sua.
Olhe-se no espelho e veja a sua.

A verdade nua e crua, difícil de lidar as vezes
Mas é a única que temos no estoque.
A consciência atormenta, incomoda e nos perturba;
Mas também nos conforta quando somos “bons meninos”.

A vida é uma comedia sem palhaços
Os risos vem do escárnio, pilheria e troça.
O alvo dos risos sempre são os outros.
Mas muitas vezes os “outros” não somos nós?

30/07/2008
21:35

sexta-feira, 25 de julho de 2008

laudo cadaverico.


Sol a pino, céu azul e um friozinho de inverno. Isso para mim significa ficar debaixo das cobertas até dizer chega. Estava de ressaca para variar, juro que nunca mais bebo. Me levanto,vou fazer um xixi e tomar uma aspirina, saio só de cuecas da cama e vou ao banheiro. Minha casa é também meu escritório, muito útil isso por que me poupa uma grana no final do mês. Estou lá,mijando, com a cabeça estalando de dor quando ouço baterem na porta.Deve ser algum cobrador, que merda estar com o nome sujo na praça. Olho pelo olho mágico e vejo uma garota de 25 anos, cabelo escuro curto,micro saia e camisa colada, mais ou menos 1, 70 de altura e proporcional. Neste ramo de detetives cheira a problema. Fico olhando uns segundos e ela ajeita a calcinha debaixo da saia digo em voz alta “PUTA MERDA!!”. Ela me ouve e fica sem jeito. Ponho rápido uma roupa e abro a porta idem. Alguns segundos se passam e ela fala:
- você é o detetive Goulart? - ela diz com indiferença no rosto
- me chamam de lesma, do que se trata isso? – falo com um risinho sem graça.
- lesma? Qual é o motivo disso? Você é lento ou lerdo das idéias? – ela provoca.
- é coisa da infância. Como você se chama, minha lindinha?
- Ângela, meu bem.
- Mas do que se trata? – atalho por que esta conversa nunca fez meu gênero.
- eu preciso de um detetive particular. Mas se você é lerdo das idéias, pode deixar, procuro outro.- e abriu um sorriso de desdém.
- eu me viro bem, eu garanto, "É prova de inteligência saber ocultar a nossa inteligência." Ja dizia o outro burro! – e me sento na cadeira atras da minha mesa.
- que burro? – ela faz cara de surpresa.
- tanto faz, do que se trata sua visita? Nao veio aqui só para ver se sou inteligente, não? - e acendo um cigarro e engulo a aspirina que ainda estava na minha mao.
- sim, bom, não. Quer dizer, preciso dos seus serviços.
- sim, isso era bem obvio, mas do que se trata, estou com uma dor de cabeça horrivel.
- enfim, meu pai morreu. E preciso de uma coisa... – e fechou a cara e olhou para o chão.
- já sei, você acha que mataram seu pai e quer saber quem foi. Barbada.Cobro 50 reias por dia mais as custas. – e ela me olhou com cara de irritada.
- não, não é nada disso. Meu pai não tinha inimigos, ele morreu de ataque do coraçao há algumas semanas. Mas preciso do laudo cadaverico dele. Me roubaram isso e sem ele não posso cobrar o seguro.
- laudo cadaverico? Que negocio é isso? – olhei bem naquele rostinho branco como a neve, de cabelos bem pretos e curtos. E fixei um olhar 45 no decote dela.
- a autopsia? – perguntou ela querendo me chamar de burro – você sabe o que é isso?
- sim sei, lindinha, mas por que alguem iria roubar isso? O que iriam ganher roubando uma folha de papel? – quis saber por isso estva ficando enrolado.
- é uma grande soma a herança dele. E meu tio é um cachorro!! – disse ela com um odio vivo na cara.
- OK, lindinha, vou te ajudar. Não fique nervosa. Parente a gente não escolhe. Vou comecar a trabalhar já. – disse para tranquilizar-la.
- obrigado, espero que não seja lerdo como seu apelido indica, meu tio é bem espertos. – e saiu porta afora.
Fiquei uns instantes tentando imaginar ela pelada, isso sempre ajuda me motivar quando o cliente é mulher. Depois fui ate a residencia que ela havia me indicado que morava o tio dela. Irmao do pai, e o principal interessado em ficar com a bufunfa.Chegando lá toquei a campanhia e um senhor de cabelos ralos na cabeça e muito brancos me atendeu.
- o Dr. Fogoso esta? – perguntei fazendo certa cerimonia. Dr. Fogoso, nome gozado este, pensei.
- espere ali na sala, por favor! – e me indicou uma sala cheia de livros, muitos livros, de tudo que era coisa. Passei o olhar pela sala e fiquei olhando alguns titulos por um tempo.
Entao o mesmo velhinho entra na sala e se senta numa poltrona que parecia bem confortavel e me indicou uma cadeira dura, sem braços, sem estofamento. Fiquei frio, mas isso me irritou um pouco.e vai dizendo logo de cara:
- já tinha uma ideia que viria alguem aqui.qual é seu nome, meu caro. Minha sobrinha te mandou, não foi?
- hm. O senhor vai direto ao ponto. Mete sem vaselina mesmo, hein? Meu nome é lesma, me chamam assim ao menos, e sim sua sobrinha me contratou, imagino que saiba o motivo.
- lesma? Voce é burrou ou lento? – perguntou ele. O que me irritou mais que a cadeira dura.
- isso é coisa da minha infancia. Nao gosto de falar disso com estranhos. Mas estou vendo pela sala que o senhor gosta de ler. Deve ser inteligente.
- "Você não necessita de inteligência para ter sorte, mas necessita de sorte para ser inteligente." - disse ele, secamente.
- hm, boa frase. Me avisaram que voce era esperto. Mas o senhor não se faça de salame, como único parente de sangue do defunto,o senhor, Dr. Fogoso, não me deixa outra suspeita.
- suspeito de que meu caro? – disse ele surpreso.
- "Elimine o impossível, e o que restar, por mais improvável que pareça, deve ser verdade." Foi voce que pegou o tal laudo cadaverico. Não me resta duvidas disso. – disse efatico.
- "É um erro capital teorizar antes de ter os dados." Meu jovem, minha sobrinha não é a santinha que ela parece. Uma coisa bela persuade por si mesma, sem necessidade de um orador, sabia disso? – disse ele com cara de senhor da razao.
- por que ela sumiria com o laudo que lhe poria uma santa grana na mao? – fuquei confuso.
- meu jovem, voce esta sendo ingenuo novamente. Ela esta tramando uma forma de ficar com tudo e fugir com o namorado dela. E voce é so um peão num esquema deveras complicado.
- pois bem, vou falar com ela. O senhor me trouxe elementos novos. Agora, se voce for o culpado, vou pendurar voce por uma parte nada agravel.
- pois bem, ate a vista! – disse ele e me levou ate a porta.
Fiquei pensando nesta conversa com o Dr. Fogoso no caminho para resolver umas pendengas e depois me dirigir ate a casa da minha lindinha. Estava com a cabeça a mil por hora. Bati no interfone e me mandaram subir. No elevador fiquei me olhando no espelho pensando na bobagem que fiz em aceitar este caso. Chegou no andar e me dirigi ate a porta. Bati e Angela abriu ela só de roupao. Fui entrando e me sentei no sofa da sala. Ela foi se chegando do meu lado e disse:
- voce falou com meu tio, não?
- sim falei. Voce me disse que seus parentes eram inteligentes, mas VOCE que é esperta!
- EU? - Ela falou e o roupao foi deslizando pelo ombro.
- sim, voce. Me contratando para achar uma coisa que estava com voce o tempo todo. Só esta ganhando tempo para dar um jeito de apagar seu tio e não ser suspeita de nada, no fim das contas vai fazer ele parecer o culpado e dizer que fugiu com todo o dinheiro.
- por que eu faria isso, meu benzinho?
- andei pesquisando sobre voce. No caminho para ca falei com meu amigo sobre voce, ele já tinha ouvido seu nome por ai. Voce esta endividade ate os ouvidos e namora um pilantra que deve ate as cuecas em jogo de cartas chamado newton, e obrigado por mencionar ele quando nos conhecemos no meu escritorio, me fez gastar sola de sapato. Mas vai fazer seu namorado sequestrar seu tio e por ele pegar o dinheiro e vai dar um sumiço nele. E depois so festa.
Ela tira a roupao e fica linda, nua, com toda beleza que deus lhe deu. E se gruda em mim e me diz:
- meu amor, voce é mais esperto que eu contava. Venha, vou te dar uma “gorgeta” como uma forma de te ajudar a esquecer estas ideias.
Tirei minha roupa e fiz amor com ela. Tres vezes. E depois me vestindo disse:
- já falei com meu amigo da policia sobre seus planos. Eles tomaram providencias sobre seu namorado. E ele já cantou seu plano como um passarinho. Eles vao vir atras de voce em breve. Estou EU te dando a “gorgeta”. Beijos na sua boca, minha lindinha.
Ela puta da cara me olha e na porta digo:
- "Algumas pessoas, ainda que não sejam geniais, têm o notável poder de estimular o gênio." Beijao na sua boca, angela. – e bato a porta e volto para meu escritorio.

22/07/2008
21:22hrs

quinta-feira, 3 de julho de 2008

one way to hell.


Futuro incerto, destino desconhecido;
Tempo de vôo para lugar algum?
Desta viagem quero receber a milhagem.
Apertem os cintos, vejam o aviso de não fumar.
Já passamos dos cem e a tendência é aumentar a velocidade
Passado passando no espelho retrovisor
E ainda não consigo ver a linha de chegada.
Quem sabe ela nem exista de verdade.

Fui ao inferno e lá abracei o diabo.
Ele não é como Dante diz
É muito mais feio, sujo e podre;
E passamos por ele sem um Vírgilio.
Depois de um tempo se perde a esperança de ver uma Beatriz
Que vai te conduzir ate o céu
E Deus também não é o bom velhinho de barba branca
Parece mais o sujeito vingativo do velho testamento.

Agora isso tudo ficou “em algum lugar do passado”.
Para onde vou? Não sei! Como irei? Vai saber!
A vida segue noite adentro berrando pela luz do sol.
Loucura, insanidade, medo e delírio;
Mentiras, hipocrisia e destempero
Já são coisas de um remoto passado.
Vida normal, seja bem vinda, estava a sua espera.
Afrouxem os cintos, já esta na hora do sol raiar.

20:44 hrs.
03/07/2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

o coração no lugar errado.


Meu nome é Gulart mas me chamam de lesma, não perguntem o motivo é apelido de infância. Sou um detetive particular e estava na cola de um vigarista vagabundo que vendeu um carro palio 98 para quatro pessoas diferentes, e é claro nenhum levou o carro. Que deve estar rodando pelas ruas do Paraguai neste momento. Um desses infelizes foi meu cliente mais antigo, Eberson Faria, que para variar não iria me pagar pelo serviço, mas pelo menos posso cobrar parte desta divida em bebidas e coxinhas de galinha no bar dele. Estava atrás desse pilantra ordinário que fez a falcatrua com o Eberson faziam cinco dias, batendo de porta em porta, perguntando por ele no bairro que supostamente morava. Vagabundo também tem lei, quem pensa que não esta errado, é a lei do silencio. A pior coisa para estes tipos é entregarem os companheiros para a lei. No sexto dia , depois de passar por amigo antigo, cobrador, pastor evangélico, cheguei na casa da ex mulher dele. Imaginei que ela podia ser de alguma ajuda para achar este bunda mole chinfrim, que queima o filme por 4.000$. Cheguei lá na casa dela, que diziam se chamar Carla, por volta de seis da tarde. Bati na porta, nada. Bati de novo, silencio. Gritei na janelinha da porta – Ô de casa!!!, estou atrás do Juvenir. Sou um velho amigo dele!!! – quando abre a janelinha, vejo um rosto que pelamordedeus, era uma beleza de mulher, devia ter por volta de 22 aninhos, cabelos castanhos quase loiros, enrolada numa toalha e secando o cabelo com outra. E disse ela:
– o que você quer?
Totalmente sem jeito e desconsertado falei meio gaguejando
- estou atrás do Juvenir, me disseram que ele devia ser casado com a sua mãe.
- minha mãe? Hahahahaha. Não, era meu marido mesmo.
Putz, pensei, este vagabundo só podia passar 171 nos outros para ter uma mulher destas. Deve ter um senhor papo. E recomecei:
- bom, desculpe, mas sou um velho amigo do Juvenir. Lembrei que ele ficou com uns Cd’s meus e queria eles de volta. Ele esta?
- não, não mora mais aqui faz mais de seis meses. Espera um pouco que vou me vestir e já falo com o senhor.
- senhor nada, pode me chamar de...- e ela foi indo para o quarto e não me ouviu terminar a frase – Jackson. – menti meu nome, claro.
Dez minutos depois voltou ela com uma bermuda e uma camiseta do Jimi Hendrix velha e ainda secando o cabelo com a toalha e logo disse:
- bom,senhor, qual é seu nome mesmo?
- Jackson.
- bom senhor Jackson, ele não mora mais aqui como disse e não sei aonde ele esta agora.
Nesta altura do campeonato Juvenir que fosse para o inferno e Eberson também . Afinal ele tem dinheiro e não vai morrer de fome por esta besteira. Eu por outro lado fazia algum tempo que não via uma belezinha destas e decidi investir nisso. Falei:
- opa, desculpe, mas estou morto de sede. Não tem um copo de água?
Ela fez que sim com a cabeça e se dirigiu para cozinha, eu fui atrás. Ela foi dizendo enquanto pegava a água na geladeira
- conheço o Juvenir desde pequena e não lembro de você. Conhece ele de onde?
- conheci ele faz uns quatro anos, na igreja. – esta sempre cola, vagabundo adora igreja para pedir proteção. E para ver se encerrava o assunto comecei a beber.
- hahaha!!! Juvenir em igreja? você esta mentindo.
- desculpe, sou cobrador, não queria te assustar. Mas ele não pagou umas dividas com meu cliente. Nada importante, mas trabalho é trabalho.
- sei – disse ela, não parecendo nada surpresa com isso. – já vieram outros aqui fazer isso. Este caloteiro só me trouxe problemas. Ainda esta com sede? Bebeu muito rápido. Não quer mais um pouco?
Queria esta na cama com VOCÊ pensei na hora.
- nah, já estou bem. Mas e esta camisa do Jimi? Curte ele?
- claro, ele é ótimo. Você também gosta?
- sim, muito. Alguns dos Cds que o Juvenir pegou meus eram do jimi, sabia? Coisa rara. Por isso queria de volta.
- sei – falou – mas o senhor...desculpe, jackson – e deu um baita sorriso, que dentes observei, branquinhos, simétricos, que davam um aspecto de anjo a ela e queria naquela hora grudar minha boca na dela ali mesmo e deixar este blá blá blá para lá. – quer ver minha coleção de cds?
Vendo ali uma brecha para um contato mais “direto” e como entendido no assunto musical, achei que podia dar uma aulinha a ela tanto de “contato direto” como de musica. Rá, vai ser moleza isso. Pensei eu. Fomos ate o quarto onde ela tinha uma modesta coleção de cds. Nada requintado, mas objetiva. Alguns cds de rock, nada nacional, vi logo de cara isso, muita coisa do Red Hot Chili Peppers, Led Zepelin, vários do Jimi Hendrix, Roling Stones, Elvis Costello, Nick Cave And The Bad Seeds, era mais ou menos isso. E comecei minha “aula” para ela que parecia muito interessada no que eu tinha a dizer.
- qual é seu disco favorito? – perguntei logo de cara.
- hummmm, acho que é este aqui! – e pegou um do Jimi, chamado “radio one” – conhece este?
- sim, muito bom. Neste ai tem varias raridades do Jimi, até uma versão de “Hoochie Koochie Man”, musica do Willie Dixon que o Muddy Waters toca. Clássico . Além de “Hound Dog” do Elvis, e “Day Tripper” dos Beatles. Ótima escolha.
- hummm – fez ela e sentou do meu lado encostando a coxa com a minha coxa. – você gosta mesmo de musica, hein? – e deu um risinho.
Agora vem a cena canastrona, parti para o ataque direto depois desta abertura que ela me deu.
- a musica e o sexo são coisas muito pessoais, e a musica certa faz o sexo dar certo. Você gosta?
- do que? Musica ou sexo?
- você decide, coração! – e beijei-lhe a nuca.
- nossa, você é apressadinho, hein?
- “quem sabe faz a hora, não espera acontecer” conhece esta? – falei com um sorriso sacana, e beijei-lhe a boca.
- não, de quem é? – disse ela me abraçando.
- sei lá, dos irmãos metralha, eu acho. – disse tirando a camisa do Jimi dela.
- engraçadinho, hein? Você gosta de uma sacanagem? – falou ela com um sorriso tirando minha camisa.
- depende muito da sacanagem, mas com você agora topo ate dançar “é o tcham” que é contra minha religião.
- Que tal esta? – e tirou de trás da cabeceira da cama um par de algemas.
- preparada você, puta merda! – praguejei, mas altamente excitado.
- sempre alerta! Sabe de quem é esta? – perguntou ela.
- deve ser dos irmãos metralha também. – eu disse, assumindo a posição para ver o “tcham” dela em cima do meu.
- ahahaha – ela riu e me algemou na cama. – esta pronto para uma surpresa agora?
- quantas você tiver, carlinha. Vamos de uma vez. Estou doido por você.
- só um minuto, já volto. – disse ela e saiu.
Porra um minuto para que AGORA, neste exato minuto, o que pode ser mais importante que isso, pensei. Nu e algemado na cama.
Deu uns três minutos e volta ela com um cara junto.
- é este aí que vinha atrás de você, Juvenir. Saquei tudo quando ele se enrolou com as historias de cobrador com a de amigo.
- hum e agora o que faremos com ele – perguntou Juvenir louco para ver meu sangue.
- vamos dar uns telefonemas primeiro, depois resolvemos isso. Você não vai a lugar nenhum, não é nenê? – e mandou um beijinho para mim, esta vaca imunda que me enrolou direitinho.
Enquanto estavam telefonando notei as chaves das algemas na beira da cama, alcancei elas com os dedos do pés. E arrastei ate conseguir pegar com uma das mãos que estavam presas somente na madeira da cabeceira que permitia que me mexesse.
Soltei as algemas me vesti e pulei pela janela e sai correndo feito doido para o mais longe possível. Como dizia no filme que eu vi uma vez “ armas não matam detetives, o amor sim”...
24/06/2008 - 23:00

quinta-feira, 19 de junho de 2008

many shades of black - raconteurs


Vá em frente, vá em frente, vá em frente
E arrebente tudo no chão
Pegue o que sobrou e
E leve-o com você pela porta…

Veja se eu choro
Veja se eu derramo uma só lágrima de lastima
Eu não posso dizer que tenha sido tão bom
Não, de fato tem sido um ano livre desperdiçado

Todos vêem
E qualquer um concorda
Que eu e você estamos errados
E tem sido assim por muito tempo

Aceite como é
E seja agradecido quando terminar
Existem muitas maneiras de agir
E existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto

desabafe (desabafe totalmente)
Diga o que se passa na sua cabeça
Você pode chutar e gritar
e berrar e dizer coisas
que são tão grosseiras

Yeah,
Veja se eu me importo
E veja se eu permaneço firme ou se eu cedo
Porque no fundo da minha mente,
E na ponta de minha língua
Esta a resposta para isso tudo...

Todos vêem
E qualquer um concorda
Que eu e você estamos errados
E tem sido assim por muito tempo

Aceite como é
E seja agradecido quando terminar
Existem muitas maneiras de agir
E existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto
Yeah, existem muitos tons de preto

Todos vêem
E qualquer um concorda
Que eu e você estamos errados
E tem sido assim por muito tempo

Aceite como é
E seja agradecido quando terminar
Existem muitas maneiras de agir
E você nao pode toma-lo de volta
Não, você não pode toma-lo de volta
Existem muitos tons de preto,
Existem muitos tons de preto,
Yeah, existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto
Yeah, existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto
Yeah, existem muitos tons de preto
Existem muitos tons de preto

Vá em frente.

musica - many shades of black
artista - raconteurs
disco - consoler of the lonely
data do lançamento - 2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

eu sou o maior cara que conheço.


Sentado aqui nesta sala de paredes mal pintadas e com moveis destruídos pensando em tudo que houve, chego de leve a dar um sorriso amarelo. Algumas coisas TEM que acontecer para algumas pessoas ou ao menos estas certas pessoas TEM que passar por fortes provas de caráter na vida. Foi de dificuldades que o mundo foi construído, como diz o velho ditado “ a rapadura é doce, mas não é mole não”; então só posso de certa forma agradecer por tudo que passei nesta vida dura que Deus me apresentou. Não podem ser sem lagrimas nos olhos que eu lembro de tudo que me aconteceu nos últimos seis meses e as marcas que me deixaram no coração e os males que se instalaram no âmago do meu ser, mas tudo muito justo no modo que eu vejo as coisas, repito algumas pessoas TEM que passar por provas de fogo para alcançar o seu fim por melhor ou pior que sejam as suas implicações. Dizem que nós não nascemos com alma, nós a conquistamos. Mas isso é uma questão para filósofos de plantão, voltemos a questão.calma, amigo leitor, já chego lá. Só são precisos algumas considerações para que o amigo leitor não faça idéia errada de quem esta contando esta historia. Sempre me vi como justo e amigável, dei e recebi muitas coisas na vida, amizades, dinheiro, posição social, carros e casas. Mas tem outro ditado que diz “para os amigos o certo, para os inimigos justiça”; esta é bem a frase que se encaixa na minha historia. Para os dois lados que podem deixar abertos esta frase. Na vida a gente perde e ganha, algumas vitórias nos fazem gigantes e algumas derrotas nos deixam abaixo do cu do cachorro. Posso dizer que vivi dos dois lados desta frase e sei a verdade contida nesta afirmação. Bom já falei demais, vamos aos fatos.
Eu era um jornalista ate que bem respeitável num jornal de media tiragem, mas que tinha um publico cativo, e de certo destaque na sociedade local. Comecei como repórter policial, passando noites e noites em claro de plantão numa delegacia no centro. Aos poucos foi melhorando as coisas, passei para setor político onde fiz amizades das mais variadas e ate seis meses atrás tinha a mamata de fazer só o editorial do jornal de domingo. Nunca tive problemas com o trabalho, sempre foi um prazer para mim poder exercer a profissão que sempre quis,enquanto muita gente acorda para fazer um trabalho que odeia . Me sentia um privilegiado por isso. tinha uma ótima relação com meus colegas de trabalho. Tudo corria as mil maravilhas para mim, mas nunca aprendi a manter o olho no padre e outro na missa. Chegando em casa um dia, depois de mais um dia jogando paciência o dia todo no trabalho e fazendo cara de ocupadíssimo, cheguei em casa e não tinha ninguém, chamei por minha mulher e ninguém respondeu. Olhei no quarto do meu filho e nada. Ninguém em casa. Ótimo isso, vou sentar para ver tevê e tomar uma cerveja em paz , sem ninguém para me aporrinhar o saco. Tirei o paletó no meu quarto amplo e muito bem mobiliado. Sentei na cama tirei os sapatos e depois deitei um pouco na cama, ouvindo o silencio da casa. Coisa rara naquele tempo, filho de dez anos correndo para lá e para cá, fazendo algazarra. Minha mulher já preparando a janta na cozinha vendo novela das seis. Mas hoje só havia o silencio( hoje eu sei que era a calma antes da tempestade) desfrutei daquele privilegio por uns quinze minutos e já descalço e sem gravata fui a cozinha. Cheguei lá e foi aí que tudo começou. Tinha um bilhete na porta da geladeira escrito com letras garrafais “ REGINALDO ISSO NÃO TEM DESCULPA!!! NÃO TOLERO MAL CARATISMO, SEMPRE FUI UMA ESPOSA FIEL, MAS ISSO PASSOU DOS LIMITES!!! PEGUEI MINHAS COISAS E FUI EMBORA, MEU ADVOGADO VAI ENTRAR EM CONTATO COM OS PAPEIS DA NOSSA SEPARAÇÃO!!! NÃO TENTE ME ACHAR, EU TENHO ASCO DE VOCÊ!! SEU FILHO DA PUTA!”. “Porra será que ela descobriu sobre a Claudia? Impossível, a Claudia nem sabe que sou casado”. Ficou sem palavras, pegou a cerveja e foi para a sala. Sentou na poltrona e ate esqueceu da tevê, ficou pensando no que tinha causado aquela situação. Não tinha resposta. Tomou diversas cervejas ate as dez da noite, ai partiu para o whisky ate as onze quando capotou ali na poltrona mesmo, com meio copo de whisky sem gelo. Acordou lá pelas oito e meia da manha nem sequer fez a barba e foi para o trabalho. Chegou lá deu o seu tradicional bom dia para o porteiro que estava ali desde a fundação do jornal há trinta anos e este nem respondeu. Muito estranho isso, pensou na subida do elevador ate o décimo andar onde ficava sua sala. Chegando lá, a secretaria lhe informou que o diretor queria ter uma palavra com ele. Botou a pasta em cima da mesa e foi ate a sala do diretor, que logo que o viu pelo vidro da sala de espera mandou entrar imediatamente. “Reginaldo, há quanto tempo nos conhecemos?vinte anos, não? Desde aqueles temos das noites de plantão na delegacia, não é?” “sim, eu acho que sim, Humberto. O que esta havendo?”. “hoje recebemos um pedido lá de cima para te despedir, disseram que não era para perguntar o motivo, mas que não podíamos mais ter você entre nós!”. Reginaldo já não entendia porra nenhuma do que estava acontecendo, sentou numa cadeira e começou a chorar. “olha Humberto, ontem minha mulher me deixou e eu ainda nem sei o motivo.E agora isso? Você não pode me dizer o motivo real? Vamos, não podem fazer isso assim sem dar uma razão!!”. Reginaldo já soluçava e seus olhos estavam encharcados. “serio Reginaldo, deram motivos vagos Reginaldo, mas disseram que ate a policia pode entrar nesta historia e você esta em maus lençóis que você andou com uma turma da pesada e agora vai estourar no seu colo. Só disseram isso.” Reginaldo enxugou as lagrimas e em um estado de dar dó se recompôs e saiu em passos lentos em direção a sua sala, lá recolheu alguns pertences e voltou para a garagem entrou no carro e voltou direto para casa. Chegando lá pegou direto o whisky ainda as onze da manhã fechou os olhos e bebeu.
Três da tarde o telefone tocou, reginaldo em estado deplorável atendeu “alô?”; “Reginaldo sabe quem esta falando?”; “sim”, “então sabe o que houve, não? “ sim”, e desligou o telefone. Finalmente ele se levantou da poltrona da sala e foi em direção ao quarto pensando “porra, aqueles canalhas da trigésima oitava cagaram para dentro, filhos da puta. Depois de quinze anos eles deram com a língua nos dentes podres deles. Agora vai aparecer em tudo que é jornal, no meu inclusive, que eu e mais uma cambada de policiais vagabundos extorquíamos, torturávamos, e matávamos traficantes de drogas indigentes que mereciam mesmo morrer, viados que viciavam ate as crianças para ter lucro. Este esquema estava nos trilhos por quinze porra de anos. Agora tinha que foder tudo? O que eu vou fazer? Este vexame não vou passar, nem morto. Mostrar minha cara na tevê, meus vizinhos vão me ver na tevê como o supra suma do banditismo, estes putos que jogam golf comigo no country club vão fingir que não fazem nenhuma sujeira nem desviam milhões de dollares por ano dos cofres destas porras de empresas que dirigem, comigo não seus viados, filho da puta, NÃO MESMO!!!”. Reginaldo entrou totalmente bêbado no quarto tirou o fundo falso da gaveta e pegou seu eagle .40 importado de lá e sentou olhando para esta beleza de arma por uns instantes. Passou tudo que conquistou na vida, suas namoradas, aquela putinha da vizinha na praia que deu na primeira noite, a márcia na faculdade que insistia que o punk era a maior invenção da musica, sua amante Claudia uma menina burra que de 18 anos que gostava de trepar de quatro, sua mulher Joyce que sempre lhe fez tudo na vida e que ele amava sinceramente. Pensou na sua casa na praia, seu apartamento cobertura em um bairro nobre que não era pouca coisa não, seu jaguar na garagem sonho de muitos babacas sem culhões para saber como ganhar o verdadeiro dinheiro. Fechou os olhos e pos a arma na testa sentindo o cano frio encostado ali, ele suando frio, parado como uma estatua e o dedo coçando no gatilho. Seu cérebro corria a cem mil por hora e perdeu a noção de tempo. Chegou o momento de mostrar que era homem de verdade e apertar a merda do gatilho para evitar um escárnio publico e ir para cadeia. Quando decidiu por fim em tudo abriu os olhos e viu Joyce parada na sua frente. Ai afrouxou tudo. Se jogou aos pés dela e pediu perdão por tudo. E hoje estou aqui, numa clinica para doentes mentais de classe media, olhando tevê com um bando de doidos de pedra e drogados que eu sempre odiei. Tudo que se seguiu foi um espetáculo da mídia acabaram com todos, delegados, policiais, e obvio, alguns traficantes figurões. Mas Reginaldo escapou mais ou menos ileso. E sentado numa sala com uma pintura horrível e moveis acabados ele pensa em voz alta “EU SOU O MAIOR CARA QUE EU CONHEÇO!”.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

maquina de foder....


Fazia tanto calor naquela noite no Tony’s que ninguém pensava em foder. Só em beber cerveja gelada. Tony empurrou duas por cima do balcão para mim e índio Mike, que já estava pronto com o dinheiro na mão. Deixei que pagasse a primeira rodada. Tony, com cara de tédio, tilintou a campainha da registradora e olhou em redor – outros 5 ou 6 caras de olhar vidrado no copo. Abestalhados. Por isso Tony se aproximou de nós.
- quais são as novas, Tony? – perguntei.
- ah, uma merda – respondeu.
- isso não é nenhuma novidade.
- uma merda – repetiu Tony.
- ah, enta ta, uma merda – disse índio Mike.
Bebemos a cerveja
- o que você acha da lua? – perguntei a Tony.
- uma merda.
- é – comentou índio Mike - , quem já esta fodido na terra também vai se foder na lua. Não faz diferença.
- dizem que em marte é quase certo que não tem vida – continuei.
- e daí? – retrucou Tony.
- ah, que merda – expliquei. – dá mais duas.
Tony deslizou de lá as garrafas, depois veio buscar o dinheiro. Tilintou a campainha da registradora. E voltou para nosso canto.
- puta merda, mas ta quente, hein? Prefiro a morte a ter que agüentar este calor.
- para onde a gente vai quando morre, Tony?
- ah, merda. Não to nem aí.
- não acredita no espírito humano?
- pura lorota, uma merda!
Bebemos a cerveja, ruminando no assunto.
- olha – anunciei – vou dar uma mijada.
Fui ao mictorio e lá, como sempre, encontrei Petey coruja. Tirei para fora e comecei a mijar.
- pô, que picinha pequena – comentou.
- quando estou mijando ou pensando, pode ser, mas ela estica muito, sabia? Na hora de meter, cada centímetro aumenta para seis.
- ainda bem, mas espero que não seja mentira, porque daqui dá para ver no máximo cinco.
- é que só estou mostrando a cabeça.
- te dou um dollar para chupar teu pau.
- acho pouco.
- você não ta mostrando só a cabeça. Ta esticando tudo que tem.
- vai te foder, Petey.
- eu sei que vai voltar aqui quando a grana da cerveja acabar.
Saí e me meti de novo no meu canto.
- mais duas – pedi.
Tony repetiu o ritual. Depois se chegou.
- ta tão quente que acho que vou ficar louco – disse.
- o calor sempre revela o que a gente realmente é – repliquei.
- peraí! Ta me chamando de doido?
- e quem não é? Só que a maioria dá um jeito de disfarçar.
- ta legal. Vamos supor que você tenha razão nessa merda. Há quantos caras na terra que ainda regulem bem da cabeça? Existe algum?
- uma porção.
- quantos?
- entre bilhões?
- é, é.
- bem eu diria que uns 5 ou 6.
- 5 ou 6? – retrucou índio Mike – ah, vai tomar no cu.
- escuta aqui – disse Tony – como é que você sabe que eu sou doido? Como é que não aparece ninguém para me levar pro hospício?
- ué, uma vez que todo mundo é maluco, restam muito poucos pra ficar controlando a gente. Por isso é que nos deixam soltos por ai. Sozinhos, com nossa maluquice. De momento é a única coisa que podem fazer. Houve uma época em que pensei que fossem capazes de descobrir um lugar para viver lá em cima no espaço enquanto destruíam a gente. Mas agora sei que também controlam o universo.
- como você sabe?
- porque botaram uma bandeira americana na lua.
- se fossem os russos que tivessem botado a deles?
- não vejo a menor diferença. – respondi.
- então é imparcial? – perguntou Tony.
- sou imparcial com todos graus de loucura.
Todo mundo se calou. Continuaram bebendo. Tony começou a se servir de whisky com água. Ele podia, o bar era dele.
- puta merda, mas que calor! – exclamou.
- é uma merda mesmo. – concordou índio Mike.
De repente Tony desandou a falar.
- por falar em maluquice – começou – ta acontecendo uma coisa pra la de doida agora mesmo, sabiam?!
- lógico – apoiei.
- não, não, não...quero dizer aqui mesmo, no bar!
- é??
- é, sim. E tão doida que da para assustar.
- conta logo de uma vez, Tony. – pedi, sempre pronto para ouvir mentiras alheias.
Tony se curvou ainda mais para nós.
- conheço um cara que tem uma maquina de foder. Não é nada desses papos furados de revista de mulher pelada. Que nem estes anúncios que se vê por ai. Bolsas de água quente com bucetas descartáveis feitas de carne em conserva, essa bobajada toda. Esse tal cara bolou um troço do rabo. Um cientista alemão, que o pessoal descobriu, quer dizer o pessoal aí do governo seqüestrou antes que os russos agarrassem o cara, agora, bico calado, hein?
- claro Tony, claro..
- Von Brashlitz. O pessoal aí do governo fez o que pode para que ele se interessasse por problemas espaciais. Não houve jeito. O velhote era um gênio, mas só tinha essa MAQUINA DE FODER na cabeça. Ao mesmo tempo se acha uma espécie de artista, as vezes cisma em dizer que é miquelangelo... deram para ele uma aposentadoria de 500 dollares mensais apenas para ter aonde cair vivo e não ser internado num hospício.
Ficaram algum tempo de olho nele, depois cansaram ou então esqueceram, mas não parou de receber a pensão e volta e meia mandavam alguém para conversar dez ou vinte minutos com ele por mês, preparar um atestado provando que ele continuava maluco e depois ir embora. Assim andou por ai, de cidade em cidade, sempre carregando aquele baita baú vermelho nas costas. Finalmente, uma noite, me entra aqui no bar e começa a beber. Fala que não passa de um velho cansado à procura de um canto tranqüilo para se dedicar de fato as suas pesquisas. E eu nem dando trela. Vocês sabem que o doido é o que não falta por aqui.
- lá isso é – concordei.
- então o cara foi ficando cada vez mais bêbado e terminou se abrindo comigo. Tinha inventado uma boneca mecânica capaz de dar uma foda com um homem como nenhuma mulher de verdade conseguiu dar ate hoje! E com a vantagem de dispensar camisinhas, e ainda não tem que suportar um montão de frescuras e bate bocas!
- ando atrás de uma mulher destas – afirmei – desde que nasci.
Tony soltou uma risada.
- e quem não anda? Pensei que fosse louco, claro, ate que uma noite fechei o bar e fui com ele a pensão onde morava e ele tirou a MAQUINA DE FODER de dentro do baú vermelho.
- e...
- foi o mesmo que ir pro céu sem ter que morrer.
- deixa eu adivinhar o resto – pedi.
-adivinha.
- Von Brashlitz e a tal MAQUINA DE FODER estão lá em cima, aqui no bar, neste instante.
- positivo – disse Tony.
- quanto custa?
- vinte pratas por cabeça.
- vinte pratas pra foder uma maquina?
- ele superou qualquer Criador. Você vai ver.
- o Petey coruja me chupa e ainda me paga um dollar.
- o Petey coruja ate é legal, com a invenção que bota Deus no chinelo.
Entreguei meus vinte dollares.
- mas, palavra, Tony, se for alguma maluquice de piada de com bolsas de águas quente, você perde o melhor freguês deste bar!
- foi você mesmo quem disse : de um jeito ou de outro a gente não passa de um bando de doidos, resolve.
- eu topo. – decidi.
- e eu também. – disse índio Mike – toma aí meus vinte.
- tem que compreender que só guardo a metade. O resto fica pro Von Brashlitz. Com a inflação e os impostos 500 pratas de aposentadoria não é muita coisa e o Von B. bebe pra caralho.
- vamos nessa – propus - , você já ganhou 40 pratas.
Tony abriu uma divisória do bar.
- passem por aqui. Subam a escada dos fundos. Basta chegar lá em cima, bater e dizer “tony nos mandou aqui”.
- em qualquer porta?
- de numero 69.
- evidente, porra, tinha que ser.
- evidente, porra – repetiu tony – e boas fodas.
Achamos a escada e subimos.
- o Tony é capaz de qualquer negocio pra fazer piada – comentei.
Atravessamos o corredor. Lá estava: numero 69.
Bati na porta:
- O Tony nos mandou aqui.
- ah, cavalheiros, entrem, por favor.
Vimo-nos diante de uma aborto da natureza, um velhote com cara de tarado, copo de birita na mão, óculos com lentes fundo de garrafa, que nem nos antigos filmes de terror. Pelo jeito estava recebendo a visita de uma coisinha jovem, quase jovem demais, de aspecto frágil e ao mesmo tempo forte.
Ela cruzou as pernas, exibindo bem o material: joelhos e coxas de nylon e precisamente aquele naco de carne. Era só xota e tetas, pernas de nylon, olhos risonhos de azul transparente.
- cavalheiros...minha filha, Tânia...
- como é que é?
- ah sim, eu sei, sou tão...velho...mas que nem o mito do negro de pau grande, existe também o mito dos velhos alemães assanhados que nunca param de foder. A gente acredita no que bem entende. Seja como for, esta aqui é minha filha, Tânia...
- oi, pessoal - saltou, sorrindo.
Aí todo mundo olhou para o deposito onde se lia: DEPOSITO DA MAQUINA DE FODER.
O velho terminou a birita.
- quer dizer então...que vieram dar a melhor FODA de suas vidas, ya?
- papai! – ralhou Tânia - , quando é que vai deixar de ser grosso?
E cruzou outra vez as pernas, ainda mais alto, e eu quase cheguei ao orgasmo.
Aí o professor acabou com a nova dose de birita, depois se levantou e foi ate a porta onde se lia DEPOSITO DA MAQUINA DE FODER virou-se para nós, todo sorridente, e começou a abrir a porta bem devagar. Entrou e saiu empurrando uma coisa que mais parecia um leito de hospital ambulante.
Não tinha NADA em cima da cama, era uma simples carcaça de metal.
O profe veio empurrando esse troféu e parou diante de nós . aí começou a cantarolar uma musica horrenda, que só podia ser alemã.
A carcaça metálica, com um buraco no meio, e o profe tinha uma latinha de óleo na mão. Enfiou no buraco e se pôs a esguichar ali dentro uma quantidade bem grande, enquanto cantarolava aquela maluquíssima canção alemã.
Sem interromper o que fazia, olhou por cima do ombro e disse: “chocante, ya?” e depois continuou com aquilo, apertando a latinha.
Índio Mike me olhou, forçou uma risada e cochichou:
- puta merda, fomos tapeados de novo!
- é – concordei – parece que faz uns cinco anos que não dou uma trepada, mas só se for louco que é que vou meter meu pau nesse monte de chumbo duro.
Von Brashlitz deu uma risada. dirigiu-se ao balcão de bebidas, encontrou outro litro de birita, despejou um bocado no copo e sentou-se a nossa frente.
- quando lá na Alemanha a gente começou a sentir que a guerra estava perdida e o cerco começou a apertar – ate a batalha final em Berlim – logo se viu que os rumos tinham mudado – a verdadeira guerra então foi ver quem ficava com o maior numero de cientistas alemães. Se ia ser a Rússia ou se seria a América – esses eram os que iriam chegar primeiro na lua, em marte, em tudo quanto é parte. Bem, no fim não sei realmente no que é que deu... numericamente ou em termos de supremacia intelectual cientifica. Só sei que os americanos conseguiram me localizar antes, me seqüestraram, levaram num carro, me deram bebida, encostaram pistolas na minha cabeça, prometeram mundos e fundos, falaram feito doidos. Assinei tudo...
- ta legal – atalhei – a aula de historia esta ótima, mas mesmo assim não sinto a mínima vontade de meter minha pica, a minha pobre picinha, neste traste de metal laminado ou coisa que o valha!! Pena que os russos não te enfuneraram primeiro! Quero minhas 20 pratas de volta!
Von Brashlitz quase se finou de tanto rir:
- hihihihihi... não viu que era só uma piadinha, né? Hihihihihihihi!!!
Guardou novamente aquele amontoado de chumbo no armário. Bateu a porta com um estrondo.
- oh hihihihihihi!
E entornou nova dose de birita.
Von B. serviu-se de outra garrafa. Não resta duvida que bebia feito gente grande.
Cavalheiros, eu sou um artista, um inventor!a minha MAQUINA DE FODER é, na verdade, minha filha Tânia...
- outra piadinha, Von? – interpelei.
- piadinha um catso! Tânia! Vai lá e senta no colo do moço!
Tânia riu, se levantou, veio na nossa direção e sentou no meu colo. MAQUINA DE FODER? Não dava para acreditar! A pele dela era pele, ou ao menos parecia, e a língua, que língua, que me espetou no fundo da minha boca quando nos beijamos, nada tinha de mecânica – cada movimento era diferente, reagindo aos meus.
Entrei logo em ação, rasgando-lhe a blusa para apalpar os seios, baixando as calcinhas com uma tesão como há anos não sentia e então nos atracamos; não sei como, estávamos em pé – e peguei-a assim mesmo, puxando as mechas daquela longa cabeleira loura, inclinando-lhe a cabeça para trás. Depois, esticando o braço e enfiando-lhe o dedo no cu, continuei a meter ate levá-la ate o orgasmo – dava para sentir as palpitações; e também gozei.
Foi a melhor fode de toda minha vida!
Tânia entrou no banheiro, se limpou, tomou banho e se vestiu novamente. Para índio Mike, pensei.
A maior invenção da humanidade – afirmou Von Brashlitz, bem serio.
Tinha toda razão.
Aí então Tânia voltou e sentou no MEU colo.
- NÃO! NÃO! AGORA É A VEZ DO OUTRO! VOCÊ ACABOU DE FODER COM ESSE AÍ!
Ela pareceu não ouvir. Achei ate estranho, inclusive para MAQUINA DE FODER, porque, de fato, nunca fui bom de cama.
- gosta de mim? – perguntou.
- gosto.
- também gosto de você. Estou tão contente. Eu...nao sou de verdade. Já sabia, né?
- eu te amo, Tânia. É a única coisa que sei.
- puta que pariu! – berrou o velho – mas esta MAQUINA DE FODER!
Dirigiu-se a uma caixa envernizada, com o nome TÂNIA impresso de um lado. Uma porção de fiozinhos saiam dela. Havia também mostradores, varinhas que tremiam de um lado para outro, uma profusão de cores, luzes a piscar, apagando e acendendo, uma serie de tique-taques... Von B. era o cafetão mais doido que já tinha visto na vida. Não parava de mexer nos mostradores. Depois olhou para Tânia:
- 25 anos! Porra, quase uma vida inteira para montar você! Tive ate que esconder do HITLER! E agora... está querendo virar simplesmente uma puta vulgar!
- não são 25 anos – protestou Tânia – eu tenho 24.
- viu? Ta vendo? Igualzinho uma puta da zona!
Virou-se para os mostradores.
- você trocou a cor do batom – comentei.
- gosta?
- se gosto!
Se curvou e me deu um beijo.
Von B. continuava as voltas com os mostradores. Comecei a desconfiar que ele ia sair vitorioso.
- deve ser algum fio retorcido na maquina – explicou ao índio Mike – confie em mim. Já vou consertar, ya?
- tomara – retrucou índio Mike – estou aqui esperando com 35 centímetros e 20 pratas a menos no bolso.
- eu amo você – disse Tânia para mim – não vou foder com nenhum outro homem. Se não puder ficar com você, prefiro ficar sem ninguém.
- eu te perdôo, Tânia. Desde já, por tudo que você fizer.
O profe estava ficando de saco cheio. Não parava de girar os mostradores, sem o menor resultado.
- TÂNIA! Ta na hora de foder com o OUTRO! Já estou...ficando exausto...tenho que tomar um trago...dormir um pouco...Tânia...
- ah – retrucou ela – velho nojento fodido! Você e seus tragos, e depois me mordendo as tetas a noite toda, sem deixar eu dormir! Enquanto você não fica nem de pau duro direito! Seu asqueroso!
- WAS???!!!
- EU DISSE QUE VOCÊ NÃO FICA NEM DE PAU DURO DIREITO!
- você me paga, Tânia. Não inverte os papeis, fui eu que te criei!
Não parava mais de mexer com a varinha mágica. Da maquina, bem entendido. Estava bastante irritado e dava para perceber, de certo modo, que a raiva contribuía para aumentar uma vitalidade, que no fundo, não possuía.
- espera um pouco, Mike. Só tenho que ajustar a parte eletrônica! É coisa rápida! Um curto! Olha ela aí!
E se levantou de um salto. Dizer que esse cara tinha sido salvo dos russos...
Virou para índio Mike.
- agora deu! A maquina ta funcionando! Aproveita!
Foi ate a garrafa de birita, se serviu de outra dose cavalar e sentou, pronto para assistir a cena.
Tânia pulou do meu colo e se dirigiu para índio Mike. Fiquei vendo os dois se abraçarem.
Ela abriu a braguilha, tirou o pau dele para fora e... era um pau que não acabava mais, cara! Ele tinha falado 35 centímetros, mas pareciam 50. aí Tânia segurou o colosso com ambas as mãos.
Mike gemeu, deslumbrado.
Foi então que ela puxou com toda força e arrancou o pau inteirinho do corpo dele. E jogou no chão.
Vi aquele troço rolar por cima do tapete feito salsichão desvairado, deixando melancólicos rastros de pingos de sangue, e terminar batendo contra a parede. E ali ficou, imóvel, como algo que possuía cabeça, mas destituído de pernas e sem ter onde se meter...o que era pura verdade.
A seguir, chegou a vez dos BAGOS virem voando pelo ar afora. Uma visão roliça, pesada. Foram se espatifar simplesmente no meio do tapete e, à falta de saber o que fazer, resolveram sangrar.
E foi o que fizeram.
Von Brashlitz, herói da invasão américo-sovietica, contemplou estarrecido o que restava do índio Mike, meu velho parceiros de rodadas de cerveja, aquela vermelhidão toda no chão, a jorrar sangue pelo meio das pernas – e sumiu feito raio escada abaixo...
O quarto 69 já tinha visto de tudo, menos aquilo.
Então perguntei:
- Tânia, não demora a justa ta aqui; vamos aproveitar a sugestão do numero do quarto para celebrar nosso amor?
- mas evidente, querido!
Já estávamos no finzinho quando a burra da policia tinha que entrar correndo.
Aí um dos cobras do ramo declarou que o índio Mike estava mortinho da silva.
E como Von B. era uma espécie de cria do governo dos estados unidos da américa, começou a surgir uma porrada de gente de tudo quanto era canto – varias autoridades fichinhas – bombeiros, jornalistas, o inventor, a C.I.A., o F.B.I. e diversas outras modalidades de excremento humano.
Tânia foi-se chegando e sentou no meu colo.
- eles agora vão me matar. Procura não ficar triste, sim?
Não disse nada. Aí Von Brashlitz começou a gritar, apontando para tânia.
- ESTOU LHES DIZENDO, SENHORES! ELA NÃO TEM SENSIBILIDADE NENHUMA! SALVEI ESSA DESGRACADA DAS GARRAS DO HITLER! Estou lhes dizendo, não passa de uma MAQUINA!
Todo mundo simplesmente parou. Ninguém acreditou no Von B.
A tal maquina, ou mulher se quiserem, era sem sombra de duvidas. A coisa mais bela que tinham visto na vida.
- ah, merda! Seus idiotas! Toda mulher não passa de uma maquina de foder, então vocês não sabem? Se entregam para quem paga melhor!NAO EXISTE ESSA HISTORIA DE AMOR! É CONTO DA CAROCHINHA, QUE NEM NATAL!
Continuaram não acreditando.
- ISTO AÍ, é apenas uma maquina! Não precisam ter MEDO! VEJAM SÓ!
Von Brashlitz pegou um dos braços de Tânia.
Arrancou completamente do tronco.
E por dentro – pelo buraco aberto no ombro – podia-se enxergar – não havia mais que arames e tubos – coisas retorcidas e esticadas – alem de uma substancia quase imperceptível, vagamente parecida com sangue.
Vi Tânia ali parada, com aquele emaranhado de arames pendendo do ombro, onde antes se articulava o braço. Ela me olhou.
Faz favor, é por mim também! Bem que pedi pra você procurar não se entristecer demais. Fiquei servindo de platéia enquanto todos se aglomeravam em torno dela para esquartejar, currar e retalhar o cadáver.
O que é que eu podia fazer? Abaixei a cabeça entre as pernas e me pus a chorar.
Alem do mais, o índio Mike nem conseguiu tirar proveito das tais 20 pratas que tinha pago.
Passaram-se meses. Nunca mais apareci no bar. Houve um julgamento, mas o governo absolveu Von B. e a maquina dele. Mudei para outra cidade. Bem longe. E um dia, sentado na barbearia, peguei uma revista de mulher pelada. E vi um anuncio : “basta soprar para ganhar sua própria boneca inflável exclusiva! Preço: 29.95$. feita de borracha da melhor qualidade, muito resistente. Acompanha um conjunto de correntes e chicotes. E ainda biquíni, sutiã, calcinhas, 2 perucas, batom e um pequeno pote de lubrificante erótico, incluídos no preço. Empresa Von Brashlitz.”
Mandei uma ordem de pagamento para o endereço indicado. Um numero de caixa postal em massachussets. O profe também tinha se mudado.
A encomenda demorou cerca de 3 semanas para ser entregue. Era de deixar a gente sem jeito, eu não tinha bomba de encher pneus e, depois , fiquei de pau duro quando tirei do pacote aquele troféu. Foi preciso ir ao posto de gasolina mais perto e usar a mangueira de ar que havia lá.
A medida que inflava, ia ficando mais apresentável. Grandes mamicas. Bunda enorme.
- o que é isso que você esta enchendo aí, companheiro? – perguntou o homem do posto.
- escuta aqui, cara, só estou tirando um pouco de ar. Eu compro gasolina aqui à beça, não?
- tudo bem, tudo bem, pode tirar à vontade. Só que, pô, bem que eu gostaria saber o que você tem aí...
- ah, vê se me esquece, ta? Retruquei.
- PUTA MERDA! Olha só que TETAS!
- eu ESTOU olhando, seu cara de cu!
Deixei o sujeito ali boquiaberto, depois joguei a boneca por cima do ombro e voltei para onde eu morava. Levei para a sala.
o grande problema estava por vir. Abri-lhe as pernas e procurei algum tipo de orifício.
Von B. não ia ser tão descuidado.
Fui por cima e comecei a beijar aquela boca de borracha. De vez em quando pegava e chupava uma das gigantescas mamicas elásticas. Botei uma peruca amarela na cabeça da boneca e passei o tal lubrificante erótico em todo o pau. Não gastei muito. Vai ver o pote era para durar o ano inteiro.
Beijei apaixonadamente atrás das orelhas, enfiei-lhe o dedo no rabo, sem parar de meter. Depois saí de cima, acorrentei-lhe os braços nas costas, usando o cadeado e a chave que tinham vindo junto e então peguei as tiras de couro e chicoteei-lhe as nádegas com vontade.
Meu deus, devo estar ficando louco! Pensei.
Aí virei o troféu de frente e meti outra vez. Trepei ate dizer chega. Para falar com franqueza, foi bastante chato. Tive que pensar em dois cachorros fodendo gatas; imaginei 2 pessoas engalicadas no ar enquanto saltavam do terraço do arranha céu do empire state. Procurei me lembrar de uma xota do tamanho de um polvo se arrastando em minha direção, bem molhada, fedorenta e louca para atingir o orgasmo. Pensei em tudo quanto era cacinha, joelho, pernas, tetas, bucetas, que tinha visto na vida. A borracha já estava suando; e eu também.
Te amo, querida! – murmurei num dos ouvidos de borracha.
Tenho vergonha de confessar, mas me forcei a foder naquele repugnante pedaço de borracha. Não havia termo de comparação com tânia.
Peguei uma lâmina gilete e reduzi a boneca a frangalhos. E atirei no lixo, no meio de garrafas de cerveja.
Quantos homens americanos compram estas coisas idiotas?
Ou então a gente capaz de passar por meia centenas de maquinas de foder numa caminhada de 10 minutos por qualquer calçada do centro de uma cidade americana – a única diferença consistindo em fingirem que são humanas.
Pobre do índio Mike. Com aquele pau morto de 50 centímetros.
Pobre de tudo quanto é índio Mike. E de todos os astronautas da terra. E de todas as putas do vietnan e de washington.
Pobre Tânia, com aquele ventre que era uma barriga de leitoa. Veias tinham saído de um cão. Decerto nem cagava ou mijava, só fodia. – coração, voz e língua tirados de corpos alheios – na época existiam apenas 17 transplantes possíveis de órgãos. Von B. andava muito adiantado dos outros.
Pobre Tânia, que comia tão pouco – quase só queijo barato com passas, não sentia vontade de ter dinheiro, imóveis, carros novos e grandes ou mansões suntuosas. Nunca lia o jornal da tarde, não se interessava por televisão a cores, chapéus novos, botas de chuva, conversas na cerca dos fundos com vizinhas beócias; nem por marido que fosse medico, corretor de valores, congressista ou policia.
E o sujeito do posto de gasolina, não cansava de perguntar:
- ei, que fim levou aquele troço que um dia você trouxe aqui e encheu com a mangueira de ar?
Só que agora não faz mais perguntas, mudei de posto de gasolina. Nem sequer corto mais o cabelo na barbearia onde li a revista com o anuncio da boneca de borracha de Von Brashlitz. Estou tentando esquecer.
Quem não faria o mesmo?




escrito por charles bukowski 1920 + 1994. retirado do livro - cronicas de um amor louco.( parte 1 de ereções, ejaculações e exibicionismos). editora LP&M.

sábado, 26 de abril de 2008

uma abelha.


Suponho que como qualquer garoto
Tive um melhor amigo na vizinhança.
O nome dele era Eugene e era maior
Do que eu e um ano mais velho.
Eugene costumava me encher de porrada.
Estávamos sempre brigando.
Eu tentava vencê-lo mas sempre sem muito
Sucesso.

Uma vez pulamos juntos de cima do telhado da garagem
Para provar que éramos valentes.
Torci meu tornozelo e ele saiu ileso
Como manteiga recém-tirada do papel.

Acho que a única coisa boa que ele fez por mim
Foi quando uma abelha me picou no pé descalço
E assim que me sentei para tirar o ferrão
Ele disse,
“vou pegar a filha da puta!”

E foi o que ele fez
Com uma raquete de tênis
Mais um martelo de borracha.

Estava tudo bem
Dizem que de qualquer modo
Elas morrem.

Meu pé inchou e dobrou de tamanho
E eu fiquei de cama
Rezando para morrer

E Eugene seguiu em frente e se tornou um
Almirante ou comandante
De alguma coisa de vulto na marinha dos estados unidos
E conseguiu passar por uma ou duas guerras
Sem se ferir.

Imagino-o envelhecido agora
Numa cadeira de balanço
Com seus dentes postiços
Bebendo seu leitinho...

Enquanto eu bêbado
Masturbo esta tiete de 19 anos
Que divide a cama comigo.

Mas o pior é que
(assim como naquele salto do telhado da garagem)
Eugene segue vencendo
Porque ele nem sequer esta pensando
Em mim.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

sabor de infância.


Nossa estória se passa numa cidade qualquer, num dia normal de sol ameno no outono, segunda feira 10 de abril. Ademir começa a sentir um cheiro indeterminado, meio doce, suave e pouco comum no ar a caminho do trabalho. Segue caminhando seu trajeto normal da sua casa para o trabalho. Não da muita importância ao cheiro, mas o cheiro não lhe é estranho. Ademir da uma cafungada na camisa, debaixo dos braços, mas o cheiro não vem dele. Estranho isso, pensa Ademir, que cheiro será este? Chega no trabalho,liga o computador, mas o raio do cheiro ainda esta nele. Que droga isso, diz Ademir, eu tomei banho antes de sair de casa. Passei xampu, desodorante e das marcas que eu uso a mais de 20 anos. Ademir era fiel a suas marcas, coisa rara num mundo como o de hoje, há 20 anos ele usa o mesmo xampu, o mesmo creme de barba, o mesmo desodorante, toma a mesma marca de refrigerante,etc... Ele ate mesmo quando não tem uma de suas marcas vai a outro supermercado atrás delas. Mas Ademir sente este cheiro que não lhe pertence no seu corpo, não que seja um fedor, por assim dizer, alias não era mesmo um fedor, longe disso. Mas este cheiro faz Ademir pensar, pensar ate demais no assunto. A secretaria bate na porta de seu escritório, Sr. Ademir? Estão te esperando para reunião das duas, diz a secretaria. Esta sentindo este cheiro? Diz Ademir. Que cheiro Sr.? Responde a secretaria.vao andando em direção a sala de reuniões enquanto conversam. Nada, esquece, diz Ademir, que reunião é esta mesmo? A secretaria relembra a Ademir que são os senhores Pedro Fogoso e Julio Cardoso, gerentes da matriz da firma de seguros que Ademir administra a filial. Como o senhor esqueceu disso senhor Ademir? Vão avaliar seu desempenho do ultimo semestre para garantir que o senhor continue empregado aqui. O senhor este bem, seu Ademir? Parece meio distante, pergunta a secretaria, vou lhe buscar um pouco de água. Não precisa, estou ótimo, mas não esta sentindo este cheiro? Pergunta Ademir. Já estavam na porta da sala de reuniões, a secretaria empurra para dentro Ademir meio desajeitado. Já estava dez minutos atrasado.
Boa tarde Ademir, diz Julio, como vão as coisas? Ademir com cara de pateta, resmunga qualquer coisa de volta. Bom, vamos aos negócios? Diz rapidamente o Pedro que é muito serio e não gosta de brincadeiras. Hã? Sim, sim, diz Ademir. Bom Ademir, parece que as coisas estão andando direito por aqui, sua empresa cresceu 5% enquanto as outras filias cresceram cerca de 2 ou 3%. Estão sentindo este cheiro? Pergunta Ademir. Que cheiro, Ademir? Diz Julio que já conhecia Ademir há quase 15 anos, fizeram faculdade juntos, enquanto o senhor Pedro era novo na empresa. Julio uma pessoa tranqüila, divertida, mas sem deixar de ser serio, enquanto o jovem Pedro era seriedade pura e queria mostrar serviço. Senhor Ademir, isso não é hora de piadas, diz Pedro enquanto olha as fichas que trouxe das avaliações anteriores da filial de Ademir. Puta merda, Julio este cheiro esta em mim deste hoje cedo.Que cheiro, Ademir? Esta doido? Julio fala. Nada deixa, diz Ademir. A reunião acaba e Ademir volta a sua sala e diz a secretaria Giorgette que esta muito cansado e vai indo para casa. Mas senhor, são tres e meia da tarde, diz a secretaria. E Ademir sai porta a fora. Caminhando para casa ainda sente este cheiro, parece familiar, e não desgruda dele. Chegando em casa, abre a porta, sua esposa o deixou fazia um mês, fugiu com um jovem que ela conheceu na academia. Ademir se sentiu culpado por isso, foi ele que incentivou a mulher a fazer exercícios. Bem feito, pensava no seu intimo. Que merda de cheiro era este? Será que estou ficando doido? Pensou Ademir antes de dormir.
Uma semana passou, este cheiro maldito não saia de seu corpo. Fazia três dias que não aparecia no trabalho e nem dormia, o cheiro tomou conta de seus pensamentos. Tinha virado uma obsessão era ele e o cheiro. Ademir começou a ficar deprimido, esta idéia fixa não era normal. Pensava que estava enlouquecendo, o que não era muito fora da realidade assim. Ficava vendo tevê, comia pizza na frente da tevê, não fazia mais a barba, estava sem tomar mais banho. Só ele e o cheiro. Ademir depois de quase uma semana finalmente dormiu. Teve o sonho mais real que teve em 52 anos. Ele estava na casa de sua avó, era um dia claro, gostoso como na infância. A avó estava na cozinha e ele na sala. Ela falava de como iam as costuras que ela fazia para fora, das vizinhas que não paravam de fofocar e das novidades das novelas. Ademir se olhou no espelho e estava com uma roupa de marinheiro de criança mas no seu corpo de 52 anos, ficou com muita vergonha de si mesmo naquela situação. A avó ainda falava na cozinha, ele pensava em como tirar aquela roupa horrível e ficar decente para sua velha avó. De repente enquanto ele tentava tirar aquela abominação, sua avó entra na sala com uma travessa. Ele para o que estava fazendo. Olha para a boa velhinha. Era o cheiro! Aquele cheiro que o perseguia havia uma semana, que tirava seu sono, o impedia de trabalhar. O cheiro era dos biscoitos de sua avó. Que ele amava na infância. Nos dias despreocupados na casa da avó, nas tarde vendo tevê e brincando com o cachorro tiao da sua avó. De repente toca o telefone acordando Ademir, ele não esquece o sonho, mas ele atende ao telefone, era a Giorgette perguntando quando ele pretendia voltar ao trabalho. De repente Ademir percebe que o cheiro sumiu. Ele garante que no dia seguinte estará no seu posto. Ademir desliga o telefone e logo em seguida liga para mãe e ela pergunta se esta tudo bem. Ademir responde que agora sim esta tudo na mais perfeita ordem e se era possível ela fazer os biscoitos da vovó.