quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Crônica em um parágrafo

Leia ouvindo “After Laughter ( Comes Tears)” na versão de Wendy rene

Baseado em um filme que vi estes dias chamado “Contra a Parede”, digo que as pessoas perdem oportunidades de ouro na vida. Não digo isso só em cima do filme, mas da minha vida em geral. Perdem oportunidades de ouro de ficarem caladas, de falarem coisas importantes ou de só sorrir. Muitas vezes nas relações ficam arestas, ficam magoas mas entre as pessoas certas nunca fica a maldade. Ok, as vezes uma maldade é boa para apimentar uma piada, para servir de estimulo para que o interlocutor se sinta incomodado ao ponto de sorrir, mas repito isso só serve entre quem se conhece a ponto de permitir uma coisa assim. Hoje em dia é muito, mas muito fácil para alguém se ofender a troco de banana, como disse antes as pessoas perdem oportunidades de ouro na vida. Se eu for falar da minha perdi um bocado delas mas estou correndo atrás do prejuízo. Estava conversando com alguém e disse – gostaria de voltar no tempo – e a pessoa respondeu – hahahaha e saber o que você sabe hoje. – e eu disse – não, gostaria de voltar no tempo e só saber ouvir. Este sempre foi um grande defeito meu, não saber ouvir com a devida atenção e quero corrigir isso rapidamente. Porque ando descobrindo que as melhores coisas da vida só são descobertas ouvindo, prestando atenção e percebendo a sabedoria de algumas atitudes de algumas pessoas. Este é o grande segredo de tudo, saber quando ouvir e quando falar e saber quem realmente esta aí para você. O resto é só mímica, jogo de cartas marcadas e uma charada. Como disse um grande escritor eu citaria duas frases dele, mas uma farei mais tarde, - você só sabe quem são seus amigos quando você vai preso – e eu estou preso numa vida sem sentido a muito tempo e poucas foram as pessoas que se importaram comigo neste período. A segunda frase dele é ótima e diz o seguinte – escritores são todos uns cretinos e os piores cretinos são os poetas. – na qualidade de poeta e pseudo escritor me sinto a vontade para dar boas risadas disso que ele disse. Então você que esta me lendo agora, não perca seu tempo com cretinos e não deixe oportunidades de ouro passarem na sua vida.

22/09/2010
16:25hrs
Marcelo Riboni

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fim de Festa

Eu vejo o brilho de ódio nos olhos deles,
Vejo eles fazerem escárnio, sim eu escuto as risadas,
Mas eles sabem que estão derrotados, por dentro.
Eu venci, eu venci a batalha interna, minha comigo mesmo.

Que dêem festas, tenham amigos, façam sexo
Eu estou bem comigo e de bem comigo mesmo.
Minhas trevas viraram um céu azul de brigadeiro.
Agora eu posso sentar e sorrir para o nada.

20/09/2010
15:03hrs
Marcelo Riboni

domingo, 5 de setembro de 2010

Lua da tarde de julho

Uma menina olhou pelo vidro do carro e sorriu para mim, acenei de volta com a mão e acelerei me perdendo nas faixas da auto estrada. Cada vez mais rápido, seguindo sem rumo em direção ao litoral. Era inverno e eu buscava somente paz, silencio e solidão. Levava comigo algumas cervejas, cigarros e uns livros. Dos livros eu dispensava, mas numa emergência, vai saber? Uma hora e meia depois estava abrindo minha casa de praia, o cheiro de casa fechada me acertou em cheio. Larguei uma mala de mão no chão com algumas roupas e levei as cervejas para a geladeira. Fui acendendo um cigarro e olhando em volta. Abri o sofá cama e deitei, acordei era noite. Tomei um banho e fui ver o que tinha para comer. Excelente, uma lata de sardinhas e mais nada. Abri a primeira cerveja junto com um cigarro. Voltei para o sofá e liguei meu ipod, coloquei um cd do theloniuns monk. Este cara era ótimo, e tinha transtorno obsessivo compulsivo que o fazia antes de cada show dar três voltas em torno do piano. E aquela mania maluca por chapéus. Quando estava acabando a cerveja peguei minha carteira na mala e dei a ultima tragada no cigarro. Fui ate onde o carro estava estacionado, entrei e dei a partida. Estava com fome, mês de julho na praia., será que teria algum restaurante aberto? Provavelmente, pensei. E segui ate a praia vizinha por uma estrada muito ruim.

Conforme as casas ai se tornando mais freqüentes, todas vazias, fui diminuindo a velocidade. Entrei no centro da cidade e estava tudo deserto. Circulei por uma quadras e parei na frente de um lugar que parecia servir comida e estava aberto as 11 horas da noite. Entrei e veio o dono, que estava ali junto com mais um ou outro bêbado inveterado., na minha direção. Perguntou “o que vai ser, amigo?” e respondi “uma Brahma bem geladinha, camarada.” Ele voltou para atrás do balcão para pegar a cerveja e um daqueles copos que eles mantém dentro da geladeira. Me trouxe a bebida e os fregueses me olharam e fiz um sinal de continência para eles. Rapidamente bebi a garrafa toda, o dono olhou lá de trás e eu disse “outra!!” e me levantei para ir pegar. Bebi umas três garrafas além da que tinha bebido em casa antes de sair. No sistema de som da lugar tocava um pagode horrível e chato para caralho. Me levantei e perguntei ao dono do lugar “camarada, aonde posso comer alguma coisa esta hora?” ele olhou para o relógio e fez “shhhh” me olhou nos olhos e disse “desce duas e lá vai ter um lugar, não é nada elaborado para esta hora. Ou pode tentar o cachorro quente da barraquinha perto da beira mar”. Sorri para ele e disse brincando “no hot dog my friend” e sai do bar. Fui ate meu carro e encontrei umas meninas encostadas nele conversando. Deviam ter uns 16 ou 17 anos. Todas bem arrumadas, claro para quem mora no litoral, mas mesmo assim estavam bem. Quando cheguei perto do carro gritei “XÔ! VAMOS ANDANDO MOÇAS” e elas começaram a fazer piadas para mim. Abri a porta e uma disse “ô tio, da uma carona para a gente. Estamos sem fazer nada, vamos tio” parei para refletir uns instantes. E abri a porta para elas estilo cavalheiro e as três, eu disse que eram três antes? Não? Pois as três entraram e gargalhando entre elas perguntaram “para aonde titio?” liguei o radio do carro num cd do Frank Sinatra e eu falei “comer meninas, comer” elas acharam graça e se puseram a rir todas em uníssono.

Cheguei no restaurante que o dono do bar havia indicado, era um lugar dos mais ralés que já havia visto e quando entrei com as meninas risonhas não ajudou muito a melhorar o aspecto. Chegou uma garçonete perto de mim e disse “pois não?” resposta “cerveja”. Ela deu meia volta e foi buscar a cerveja. As meninas rindo e se divertindo achando graça de tudo perguntaram “titio, paga uma cerveja para a gente, paga” e eu disse “que idade vocês tem mesmo?” e elas de novo em uníssono responderam “temos 18 titio” e quando a garçonete chegou deixei elas pedirem o que queriam. A garçonete fez cara feia e fui buscar mais duas garrafas para as meninas. Foi quando eu perguntei “qual é o nome de vocês, meninas, e o que estavam fazendo no meu carro?” a primeira, loirinha com os cabelos verdes de tanto cloro disse “ eu sou a Clarissa, esta aqui do lado é a Juliana e aquela ali é a Drica. E o que mais você quer saber mesmo?” ao que eu disse “não importa mesmo, vamos beber a saúde de quem?” nisso houve um pequeno bate boca entre elas, aparentemente Clarissa queria beber em homenagem aos estudantes, e as outras duas em homenagem ao dia aniversario de Juliana. Eu falei “vamos beber em homenagem as estudantes que estavam de aniversario” elas riram e começamos a beber em silencio. Nisso Drica se levantou e começou a dançar ao som de algum tipo de ruído indistinguível que estava tocando nas caixas de som que supostamente alguns chamam de musica e pegou a mão de Juliana e começaram a dançar coladinhas e de uma forma sensual. Fiquei olhando aquilo e baixando cervejas, depois de três garrafas e daquelas danças sugeri a Clarissa que convidasse as amigas para irmos comer um delicioso cachorro quente na barraquinha perto da praia. Se juntaram as três e marcharam em direção ao meu Fiat punto.chegamos na barraquinha e estava caindo uma chuvinha fininha, daquelas que gelam a alma. Comemos conversando eu a Clarissa, as outras duas estavam correndo pela areia da praia. Ela perguntou o que eu fazia e eu disse “não faço nada, achei que fazia mas não faço nada realmente” e ela riu e perguntou com a boca cheia que profissão eu tinha e eu disse “sou catador de papel, ok?” comemos nosso cachorro quente e quando chegamos perto das outras duas elas começaram a tirar a roupa para entrar no mar.


As duas entraram no mar só de calcinha e sutiã enquanto Clarissa me pedia para entrar que ela também queria tomar banho de mar. Nisso olhei para o relógio e vi que eram duas da manhã. Enquanto Clarissa ficava de calcinha eu tirava as minhas calças para me juntar as outras duas já dentro da água. Clarissa me pegou pela mão e quando chegamos perto vi que as duas estavam se beijando na boca dentro da água. Fomos para junto delas e nisso comecei a beijar a menina loirinha, que me retribuiu o beijo de forma intensa. As duas vieram para perto de nós e começamos a brincar ali mesmo, dentro da água. Clarissa pegou meu pau e começou a me masturbar dentro da água gelada do mar de inverno. Fomos sendo empurrados pelas ondas para fora do mar e deitamos todos na areia da beira rindo de tudo e nada. Drica me deu um puxão para não cair do empurrão que Juliana lhe deu e nisso caímos os dois. Deitado rindo feito idiota na areia molhada Clarissa começou a me chupar. E as duas em volta a se beijar. Juliana veio e me deu um beijo na boca enquanto estava passando as mãos na bunda de Drica e as duas sentaram do nosso lado e começaram a fazer sexo. Clarissa tirou sua calcinha encharcada e sentou em cima de mim e remexendo como uma enguia me beijando. Fizemos tudo que tinha para fazer ali mesmo e depois deitamos na areia molhada da chuva fininha que ainda caia. Todos em silencio. Estendi a mão e peguei no bolso da calça meu maço de cigarros, acendi três. Um para cada, mas Drica não fumava e ficamos todos deitados fumando. Passou um tempo e olhei para o relógio, eram 4 horas da manhã. Comecei a me levantar e me vestir e as meninas fizeram o mesmo em rindo e se empurrando. Entramos no carro e deixei elas aonde as havia encontrado, na frente daquele bar. Me despedi e Clarissa perguntou “como você se chama, ate agora não disse.” E eu respondi “Pedro” e ela disse “adeus Pedro” e bateu a porta. Comecei acelerando devagar e olhando elas pelo retrovisor. A medida que me distanciava acelerei mais. Quando cheguei em casa dormi direto. No dia seguinte acordei meio dia e fiz café, acendi um cigarro e abri um dos livros que havia trazido. Tropico de câncer que começava assim “Estou vivendo na Vila Borghese. Não há um resquício de sujeira em parte alguma, nem uma cadeira fora do lugar. Estamos completamente sozinhos aqui e estávamos mortos. Ontem á noite Boris descobriu que estava com chatos. Tive que raspar-lhe as axilas e mesmo depois disso a coceira não passou. Como alguém pode adquirir chatos num lugar bonito como este? Mas isso não tem importância. Talvez nunca nos tivéssemos conhecido tão intimamente, Boris e eu, se não fossem os chatos...”

Marcelo Riboni
05/09/2010
21:40hrs

sábado, 4 de setembro de 2010

flash

Grita no meu ouvido,
Grita bem alto a plenos pulmões.
Deixe o mundo saber o tamanho
Da sua fúria, deixa ela sair
Devagar de dentro de ti.
Devagar você vai fazer tudo voltar
Ao lugar de onde nunca devia ter saído.
Deixe as duvidas num canto esquecido.

Meu amor eu te amo,
Sinto cada olhar, cada tom de voz,
Trazendo dentro de si uma vontade feroz
De fazer tudo ficar do seu jeito.
Você não pede, você não manda,
Você simplesmente me apóia.
Quando os ratos já pularam do navio
Você afunda junto, lavando todo seu ódio.

Para cada veneno, para cada malícia
Em cada toque e em cada caricia
Você tem todas as respostas e assim,
Fazemos os dias virarem minutos.
Passam as estações e passam os anos
E estamos juntos um pelo outro.

Marcelo Riboni
04/09/2010
19:54hrs

domingo, 29 de agosto de 2010

Lonely Heart club

Desdejásoucapaz
Deolharparatráse
Verasatitudesque
Desembocaram
Numfuturosem
Passadoestadode
Êxtase catatônico
Olhandoumafoto
Epensandoque
Podiatersidooutra
Coisaoutrahistoria
Masvocêescolheu
Assimeassimfezas
Coisasparapoder
Dizereufizaminha
Parteaindasintoo
Mesmoqueantespor
Quemeucoraçãobate
Portimeninamulher
Mulhermaduraque
Deixaarazãoacima
Dossentidospena.


Marcelo Riboni
29/08/2010
12:51hrs.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Memento

Parados no momento da imagem
Mas o som segue seguindo em altos brados.
Felicidade se faz de tristezas podres
Para guardar aqueles sentimentos dobrados.

Cala a boca, porra. Silêncio e mais nada.
Agora somos fantasmas de uma outra vida.
Realidade distorcida multiplica sofridão.
Quem vai pagar para ver o furo da bala?

Aqui ninguém é santo, todos somos culpados.
De pecados inomináveis e abomináveis,
E fingir que tudo é comemoração parece o certo.
Tristes finais de contos de fadas ao contrario.

Fugir do reflexo e das reflexões,
Para onde a razão faça de tudo um por do sol.
Naquele fim de tarde de outubro
Com o “eu te amo” escrito no muro.
E ir para além das memórias, além das historias,
Incendiar a cidade como Nero, é o que eu quero e
Deixar tudo em cinzas, para fazer tudo morrer
Na saudade de um olhar esquecido para nunca mais ter.

Marcelo Riboni
17/08/2010
01:01hrs.

sábado, 7 de agosto de 2010

Musicas e Poemas de Amor

Musicas são como poemas de amor.
Nunca acabam, sempre surgem mais e mais,
Quanto mais longas as musicas piores são os poemas.
Cada vez que ouço o lamento do piano sinto um coração
Se partir em algum lugar, só, sem rumo e sem pena,
Que irá destruir outro coração mais gentil só por revolta,
De ter que sofrer, sofrer sozinho nunca é bom.
Queremos sofrer um dupla, em turma e em um grande estádio
Para não ver nosso próprio sofrimento invadir a mente.
Com idéias de tudo que deixamos ou que fizemos a mais.
Musica, um, dois, três e quatro. Vamos lá uma nova batida
Uma sacudida aqui e outra acolá para tirar os sentidos
Do lugar e de vez em quando esquecermos que somos
Sozinhos, únicos e sem parceria na vida. Deixem as musicas
E os poemas de amor jorrar pela veia de quem sabe sofrer.

Marcelo Riboni
21:00hrs
07/08/2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Recordações

Recordar é viver? Recordar para esquecer,
Recordar para aprender a não errar.
Esquecer para num futuro diferente
Aprender a esquecer de não esquecer.

Fotos, musicas e perfumes,
Fatos que apagam os pequenos detalhes.
Dores vividas, alegrias passadas.
Lado a lado de uma vida encerrada.

Quero já novas musicas, novas fotos,
E novos perfumes para voltar a sofrer;
E voltar a lembrar que ainda posso;
Que a vida ainda brilha ao som do jazz.

Luz negra, sons distantes e inconstantes
Fazendo a paisagem de um por do sol cor de rosa.
Fazendo passagem para um lugar ideal
Aonde a vida funcione de modo sem igual.

Poemas e poesias, realidades e fantasias.
Tudo rabiscado em letras desiguais
Numa folha de jornal com a data de hoje,
Para guardar e lembrar de um dia esquecer.

Marcelo Riboni
03/08/2010
22:36hrs

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quando nada esta aqui

Como vão as coisas, pessoa?
Tudo esta em ordem? E a família?
Notas de desespero gritam do fundo
Da alma despedaçada pela vida
Esquecida, reprimida, controvertida.
Que muda a cada olhar para frente
E quem entende esta longe e talvez
Nunca mais volte. É a minha sorte.

Momentos cada vez mais raros;
Momentos cada vez mais caros;
Que custam um sonho, um querer
E quem se deixa sofrer por sentimentos
De vidas perdidas, de lembranças esquecidas
Que violentam a recordação, atormentam a razão.
Nada mais esta no mesmo lugar, tudo bagunçado,
Sem nenhuma ordem, para sempre e para nunca mais
Estar junto para sorrir e ouvir o perfume dar seu alô.

Marcelo Riboni.
29/07/2010
20:14hrs.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cilada

Dentro da pior situação de todas é a que me encontro agora. Preso num quarto escuro, com uma mordaça na boca. As algemas nos pulsos machucam a cada movimento mais brusco que eu tento fazer. Faz parte do meu trabalho, eu acho. Detetives estão para todas, e geralmente para as piores mesmo. Ligam a lâmpada presa por um fio no teto e me dão um tapa na cara. Ouço risadas no fundo e não enxergo nada, depois recebo um banho de água gelada para acordar de vez. “escuta aqui rapaz, - me dizem – você vai cantar ou vai esperar ate virar patê?”. Devolvo um sorriso abafado pela mordaça e grito vários palavrões. Recebo o troco, mais porradas na cara e choques elétricos. Nem grito mais, já estou nesta a alguns dias. Eu não sou mole, não vou entregar a rapadura. Meu ganha pão é este. Depois de mais alguns socos na cabeça eles vão embora e me deixam com minha dor e meu sangue escorrendo. Tento cuspir, mas a mordaça não permite. Também não consigo respirar direito, estes caras estão começando a me irritar. Acabo pegando num meio sono, meio desmaio.

Olho o sol nascendo por uma janelinha cheia de poeira que fica a minha direita, como estou no subsolo que é tipo aquelas que se vê na televisão em garagens. Escuto alguns barulhos vindo do lado de fora desta prisão que me encontro, parece um pouco com um esmerilho. Dou um sorriso, vou resistir o Maximo que eu puder. Mas eles não vão fazer nada enquanto eu não falar o nome de quem me mandou aqui. Como disse, estou nessa a alguns bons anos. Na verdade não tão bons assim, mas esta é a única coisa que sei fazer depois que deixei a policia. Fiquei pensando no tenente quando mandei ele tomar no olho do cu, por que ele estava pegando no meu pé demais e sai porta afora só voltando para pegar meu ultimo ordenado. Nunca fui um bom subordinado, receber ordens não é bem comigo. Agora o barulho do esmerilho aumenta e fico só olhando a porta. Olhando é modo de dizer, estou com os dois olhos totalmente inchados de tanto apanhar. A porta abre e a surpresa toma conta de mim. Vejo uma menina de uns dezoito ou no Maximo vinte anos com uma coisa parecida com uma furadeira, mas para cortar em vez de furar. Desta vez eles se superaram, muito bom. Mandar uma loirinha de dezoito anos para me torturar. Mas para minha surpresa ela com este aparelho corta as algemas e me diz “vai, te manda daqui. E diz para o meu pai que estou bem. Quando eu puder ligo para ele”.E é exatamente o que eu faço.

Passo duas semanas na casa da minha namorada, cuidando de mim para que eu fique bom. Ou como ela diz “para que você fique supimpa”, supimpa!!! Eu mereço mesmo. Como me roubaram o celular e quebraram ele todinho quando estava naquela maldita garagem não me preocupei muito com o trabalho por uns tempos. Então quando estava mais ou menos recuperado fui procurar o Dr. Luiz Inácio, para relatar tudo que tinha me ocorrido e o que eu tinha visto e ouvido. Quando cheguei na rua dele, num bairro nobre da cidade, parei na frente do prédio. Prédio com porteiro e câmera de vigilância. Toquei para falar com o porteiro, um negrão grande e forte que impunha o respeito necessário para um prédio daqueles, avisei meu nome e o que eu fazia ali. Esperei uns minutos do lado de fora do portão ate ouvir o BZZZ da porta se abrir. Ele me olhou da cabeça aos esparadrapos colados por todo meu corpo e disse “pode subir, o andar é o oito, o Dr. Inácio esta lhe esperando”. Fiz um sinal de positivo e apertei o botão do elevador. Enquanto esperava fiquei olhando em volta e observando “Rá ali tem uma câmera. Ali tem outra”. Chegou o elevador e entrei nele. Elevador com musiquinha e Dr. Luiz Inácio mora num andar todo, a porta do elevador dava na sala dele.

Quando chego no andar tem uma empregada me esperando na porta, mais uma vez como fora na saguão com o porteiro, ela me olha e pensa “quem sera este Zé todo estropiado que esta aqui?”, mas pede por favor para eu aguardar na sala ate que o Seu Inácio me chame e é o que eu faço pensando com meus botões “eu sou um belo cãozinho adestrado. Espera, senta, pula e agora apanha”. Mas para minha surpresa quando entro na sala quem eu vejo? Quem? Quem? QUEM? Ninguém menos que aquela adorável anjinha loira que me libertou do meu cafofo esperto com surras como café da manhã. Ela me olha e pergunta se estou bem, faço sinal de mais ou menos e pergunto “já acabaram as férias do seu internato?”. Ela com cara indiferente para de olhar para mim e volta a voltar a atenção a televisão de LCD de cinqüenta polegadas zapeando canais na tv a cabo. Ouço me chamarem e como um belo cãozinho adestrado levanto e caminho para a sala do Dr. Luiz Inácio, pensando “corre, pula, deita, finge de morto”. Quando chego na sala do bom Dr., uma sala ampla com cores vivas e um monte de livros caros nas paredes, ele vem e aperta minha mão como quem da esmola a um miserável e gesticula para que eu me sente. E é o que eu faço, esperando o osso. Ele senta e logo levanta dizendo “você não fez nada, seus serviços são uma porcaria. Te mandei atrás da minha filha e você nem me deu UMA noticia. Não te achava nem para saber o que você estava fazendo nestas ultimas semanas. Minha vontade é não pagar nada a você, nem sequer o que combinamos. Realmente lamentável. Vou avisar o Dirceu que você não serve para nada’. Ele colocou a mão numa gaveta e tirou um pacote com os três mil reais que havíamos acertado como preço dos meus préstimos. Gaveta com chave, naturalmente. Peguei o dinheiro e não disse uma única palavra. Levantei e sai pela porta e cruzando a sala disse a meu anjinho loiro “pergunte a seu agente de viagens sobre um destino melhor nas próximas férias”. Recebi um sorriso irônico e voltei ao elevador e aquela musica ambiente.

Passam umas semanas, que fico gentilmente estabelecido na casa da minha namorada que mora com a mãe. Todo dia ouço a velha se queixar de mim, reclama de tudo, que não puxo a descarga quando faço xixi, que deixo a toalha molhada em cima da cama. Que quando ela acorda as dez da manhã não tem mais café preto para ela tomar...enfim, um rosário de apurrinhação. Quando estou bem melhor, já quase sem nenhum curativo no corpo e boa parte dos olhos sem inchaços entro no meu calhambeque e volto ao meu ultimo endereço antes de ficar com Martha. Ou seja aquela garagem imunda que me infligiram as piores coisas que alguém pode sofrer. Já quando entrei na rua notei que era observado pelos vigias deles, mas mesmo assim segui em frente e fui ate a casa. Bati gentilmente na porta e sou atendido por um crioulão que pergunta o que eu quero. Falo que quero falar com o chefe, chefe que devia ter no máximo vinte e cinco anos e estava de chinelos de dedo e camisa de basquete tomando uma latinha de cerveja vendo jogos da copa do mundo. Quando me vê se surpreende. Faço gestos para mostrar que não estou armado e ele me oferece uma cadeira e pergunto “quanto esta o jogo?” e ele me responde “um a zero Suíça, mas a Espanha esta jogando muito daqui a pouco empatam. O que você quer aqui, cara? Esta de palhaçada?” pego uma latinha de cerveja num mini bar logo em frente a televisão e digo “vim dizer o que vocês queriam saber quando da minha ultima visita”. Ele me olha surpreso e atento e digo o nome e endereço do Dr. Luiz Inácio. Ele sorri e aperta minha mão. Agora quem vai virar cãozinho adestrado é o bom doutor e com alguma sorte o negrão da portaria segura esta turma da pesada.

16/06/2010
22:10hrs
Marcelo Riboni.