terça-feira, 8 de março de 2011

Perdido & Esquecido

Escrevo o silencio,
Palavras nunca ditas e
Gritos surdos
Destroem as noites e
Abrem o chão embaixo
Dos meus pés. Surge um buraco
Que consome minha alma
Deixando vazios os sentimentos.

As coisas são irrelevantes,
Nada tem mais sentido.
O sentimento morreu.
E no lugar nada apareceu
Tornando tudo fugaz, imediato e automático.
As ações são condicionadas;
Os sorrisos tão falsos quanto
Uma simpatia forçada que disfarça o ódio

18/01/2010
18:52hrs
primeira versão

08/03/2011
18:03hrs
segunda versão

segunda-feira, 7 de março de 2011

O olhar frio

Palavras e mais palavras, mostram mais
E mais coisas mortas. Seca. Soca. Bate.
Deixa uma fúria sair de dentro aos poucos
Uma trilha de um passado cheio de loucos.

O que vamos fazer? Brigar? Lutar?
De ações belicosas eu já estou farto
Cada gesto, cada atitude filmada pela retina
Agita uma memória de perda repentina.

O que vamos falar? Dizer? Para quem ouvir?
Eu quero aos poucos começar a sumir
Eu quero aos poucos ver a coisa toda ruir
Deixar o corpo cansado simplesmente cair

Deitar ao lado das lembranças
Deixar de lado as esperanças
Quem sabe correr na rua como as crianças
E viver, só viver, para sempre o dia o que nunca foi.


Marcelo Riboni
26/02/2011
21:36hrs

Horror do mundo do amor

Eu poeta? Sou só um bêbado imundo.
Que nem no submundo vive.
Vive a margem, sim. Mas por que
Escolheu. Te saúdo amigo meu.

É preciso perder nesta vida;
É preciso saber o valor da descida;
É preciso saber nesta vida
O valor da conquista, da vitória.

Eu sou um bobalhão, um trapalhão.
Retalhos de uma realidade fazem meu futuro
Negro, escuro e só.
Meu amor tenha dó,
Para que possamos viver em paz.
Esquecer os momentos que ficaram para trás
E pensar num futuro, num presente que seja um presente
Para nós dois e uma alegria que faz a dor ficar ausente.

Marcelo Riboni
06/03/2011
12:57 hrs

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Destino, desconhecido.


Andando pela minha rua
Para cima e para baixo,
Eu sei que aqui eu não me encaixo
Mas não conheço outro lugar
Para chamar de
Meu lar,
Minha casa.

Cada buraco, cada estrago feito
Ao longo de vinte e tantos anos.
Marcados pelas marcas na minha cara.
Aqui eu sei onde estou,
Aqui eu já não sei quem sou
Se um fantasma,
Se uma memória.

Passei minha vida aqui.
Parei,
Olhei,
E compreendi que tudo aqui faz
Parte de mim,
Parte de quem sou,
E tudo aqui esta em mim,
Esta assim,
E vai até o fim.

Marcelo Riboni
11/02/2011
12:02 hrs

PS: a diagramação do blog não aceita a minha, alguém me ajude por favor.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Emaranhado


Enquanto o mundo acaba
A vida parece não ter sentido
Escrito no muro da frente “morte”
Sem salvação, sem chorar e sem mais nada

Os capítulos seguem passando
E capitulando as lições da historia
A memória comete os velhos equívocos
Inapelavelmente a deriva.

Quem pode escolher o passado
Quando o futuro é negro como a noite
O açoite das lembranças são o pesadelo
Das mais terríveis assombrações.

Um dia o sol se porá e serei feliz
Dormirei uma noite do sono dos justos
Sonharei com as maravilhas que estão no porvir
E saberei que tudo estará terminado.

Marcelo riboni
28/01/2011
15:39hrs

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Ódio


Você gosta de ouvir uma mentira.
Uma mentira repetida tantas vezes que vira verdade.
Infinitas vezes, milhares de vezes,
E a realidade se torna um jogo.

Quem derrota quem?
Quem ganha de quem?
No fundo no fundo não sobra para ninguém
Uma nesga de conforto para se agarrar.

Para voltar a sombra da realidade
Caímos em mentiras sinceras.
Dando o rosto ao tapa e ao cuspe,
Para tentar um pouco de amor.
Sentimos aquela dor arder no peito,
Sentimos necessidade de fazer algo a respeito,
Mas nada muda nunca e tudo segue
Rápido para lugar nenhum, sozinho.

Marcelo Riboni
06/01/2011
19:03hrs

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Segunda seguida de lua


Cinzas do cigarro caem na calçada
Calada e deixada de lado
Á espera de um sopro que lhe dê vida
Esquecendo de ser escondida a flor brota
E leva o perfume da manhã de outono
Para o coração da minha amada
Pára para dar um olhar em mim
E sorrir enfim...enfim...enfim....

28/12/2010
01:58hrs
Marcelo Riboni

sábado, 25 de dezembro de 2010

Derrotado na linha de frente.


Cerveja na mão e um dia infernal pela frente.
O calor já vem subindo e quem puder agüente,
Água ardente se fez presente logo para abrir os trabalhos
E deixar palatável mais uma celebração do consumismo.
Como sumimos desta data? Como?
Sorrisos falsos são só isso e nada mais...

Marcelo Riboni
24/12/2010
11:29hrs

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Interno

Sentado com um copo na mão,
Eu brindo o novo ano.
Esmagado em memórias de tragédias.
Sozinho.Digo um FODA-SE bem grande e
Mais um ano, mais um ano e mais um ano...

Marcelo Riboni
13/12/2010
23:07hrs

sábado, 20 de novembro de 2010

Nota do Autor - O homem duplo

Este é um romance sobre algumas pessoas que foram punidas excessivamente pelo que fizeram. Elas queriam se divertir, mas eram como crianças brincando na rua; podiam ver uma depois da outra sendo mortas – atropeladas, mutiladas, destruídas -, mas continuavam a brincar de qualquer forma. Nós realmente fomos todos felizes por algum tempo, sentados sem trabalhar, só dizendo besteira e brincando, mas foi por uma época curta e terrível e depois o castigo foi inacreditável: por exemplo, enquanto eu estava escrevendo este livro, soube que a pessoa na qual é baseada a personagem Jerry fabin se matou. Meu amigo, em que baseei a personagem Ernie Luckman, morreu antes que eu começasse o romance. Por algum tempo, eu mesmo fui uma dessas crianças que brincavam na rua; como o resto delas, tentei brincar, em vez de crescer, e fui punido. Estou na lista daqueles a quem este romance é dedicado, e que se tornou de cada um deles.

O abuso de drogas não é uma doença; é uma decisão, como a decisão de sair da frente de um carro em movimento. Não chamaria isso de doença, mas de um erro de julgamento. Quando um monte de pessoas começa a fazer isso, é um erro social, um estilo de vida. Nesse estilo de vida em particular, o lema é “seja feliz agora porque amanha você vai morrer”, mas a morte começa quase ao mesmo tempo e a felicidade é uma lembrança. Ele é, então, só uma aceleração, uma intensificação da existência humana comum. Não é diferente de seu estilo de vida, é apenas mais rápido. Acontece em dias, semanas ou meses, em vez de anos. “Pegue o dinheiro e deixe o credito continuar”, como disse Villon em 1460. Mas esse é um erro se o dinheiro é uma moedinha e o credito, toda vida.

Não há moral neste romance, ele não é burguês, ele não diz que eles estavam errados em brincar quando deviam estar trabalhando; só conta quais foram as conseqüências. No teatro grego, eles estavam começando, como sociedade, a descobrir a ciência, que significa lei casual. Aqui, neste romance, há Nêmese: não destino, porque qualquer um de nós pode ter escolhido parar de brincar na rua, mas, como narro na parte mais profunda de minha vida e de coração, uma Nêmese pavorosa para aqueles que continuam a brincar. Eu mesmo não sou uma personagem deste romance, sou O romance. E o mesmo para a nossa nação nessa época. Este romance trata de pessoas que conheci pessoalmente. Alguns de nós leram sobre isso nos jornais. Foi esse sentar com nossos amigos e falar besteira enquanto gravávamos fitas, a decisão ruim da década, os anos 60, dentro e fora do establishment. E a natureza foi exigente conosco. Fomos obrigados a parar por coisas pavorosas.

Se houve algum “pecado”, foi o de que essas pessoas queriam continuar a se divertir para sempre e foram castigadas por isso, mas, como eu digo, sinto que, se assim foi, o castigo foi grande demais e prefiro pensar nisso somente de uma forma grega ou moralmente neutra, como mera ciência, como causa e efeito imparcial e determinista. Eu amava todos eles. Aqui esta uma lista, a quem dedico o meu amor:

A Gaylele – falecida
A Ray – falecida
A Francy – psicose permanente
A Kathy – dano cerebral permamente
A Jim – falecido
A Val – dano cerebral maciço permanente
A Nacy – psicose permanente
A Joanne – dano cerebral permanente
A Maren – falecida
A Nick – falecido
A Terry – falecido
A Dennis – falecido
A Phil – dano pancreático permanente
A Sue – dano vascular permanente
A Jerri – psicose permanente e dano vascular

E assim por diante.
In memorian. Esses eram camaradas que eu tive; não existem melhores. Eles continuam em minha mente e o inimigo nunca será perdoado. O “inimigo” foi o erro que cometeram em brincar. Que todos brinquem de novo, de outra forma, e que sejam felizes.

Philip K. Dick.