sábado, 28 de fevereiro de 2009

onde os anjos não ousam pisar - nasi


Equilibrado na beirada do abismo
quem sabe caia ou talvez vá voar.
Noite cerrada, ferro, fogo, batismo,
anjo nenhum vai conseguir me escorar!
Vai com açúcar ou prefere adoçante?
Anjo-da-guarda se recusa a provar

(Refrão)
Nada a perder, nada a ganhar.
Enlouquecer ou delirar.
E eu ainda insisto em andar
onde os anjos não ousam pisar.

Na matinê morro de tiro ou de tédio.
Se Deus morreu quem é que vai me enterrar?
Prefiro o brilho do meu próprio remédio.
Anjo-da-guarda se recusa a olhar.
A camisinha você trouxe, meu bem?
Deixa, meu anjo, que eu não vou gozar.

(Refrão)

Alma vazia, vendi todos os móveis.
Levei na troca pó-de-pirlimpimpim.
Luz na neblina, solidão, automóveis,
molhado asfalto das esquinas de mim.
Abandonado por meu próprio destino,
fazendo força pra seguir sem pensar.
Dentro do peito agonizando o menino
que se perdeu porque não soube chorar.
Se não tem cura eu toco um tango argentino
olhando o anjo que não sabe dançar.

(Refrão)

Onde eu passo sem ter que pensar
nenhum anjo consegue voar...

letra - nasi
disco - onde os anjos não ousam pisar
ano 2008

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

dia chuvoso



Cerveja quente, dia chuvoso.
Pelo menos hoje não esta tão calor.
O destino conspira contra mim,
O tempo corre no relógio esgotando
As minhas possibilidades de ter sucesso
Como gari, como contador ou contador
De historias ou como qualquer coisa.
Passado remoto remonta meu dia a dia
Fazendo o terror constante e perene
Transformar minha vida inútil num
Inferno privado. Pensamentos auto destrutivos
Descem pela privada do meu cérebro.
O complexo de Bukowski ataca muitos
Que pensam que podem escrever, inclusive eu;
O sentido que posso estar fazendo papel de ridículo
Escrevendo, me expressando de alguma forma
Não me aterroriza tanto quanto o papel de imbecil
Que já passei na vida. Amores perdidos, amigos e inimigos
Que me amam e me odeiam consomem minha alma
Que procura um oásis das idéias para ter uma folga
Desta vida maluca. Bebidas de mais, sono de menos
E pensamentos obscenos que remontam uma vida
Sofrida e desperdiçada. Anos perdidos, anus fodidos
E muita loucura me faz querer mais e menos
Ao mesmo tempo, só paz e serenidade. Sem nada
Para fazer a não ser ter tempo o suficiente de viver
Um aguardado e muito merecido amor de verdade.

Marcelo riboni.
16:15hrs
23/02/2009

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/omardito

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Carona Maldita


Caindo a noite, sol no horizonte por entre as montanhas com aquela luz de poente. Cenário perfeito para um poema pensou John enquanto sintonizava a radio do seu caminhão atrás de uma musica decente. Achou uma estação de rock, estava tocando “The Doors”; “Roadhouse Blues”. John olhou para estrada curtindo o som da sua época, “anos 60. grande época para o rock. Depois virou tudo barulho” pensou ele. Começou a cair a noite e o sol deu lugar a uma lua cheia. John tomou um rebite para ficar atento, já que estava na estrada por mais de 30 horas. Tinha que entregar uma carga daqui a 46 horas. Não tinha tempo para dormir. Seguiu por uma estrada vazia, sem nenhuma casa por milhas e só que iluminava a estrada eram as luzes de seus faróis. A radio que ouvia saiu do ar fazendo BZZZZZZ...John deu uns tapinhas na antena interna do negocio e voltou a tocar. Desta vez “the turtles”; “guide for a married man”. John já foi casado uma vez. Casou com uma maluca, bêbada que passava o dia todo vendo televisão e bebendo cerveja enquanto ele trabalhava dia e noite numa fabrica de sapatos. Um dia John se sentiu mal e voltou para casa e pegou a esposa com o vizinho maconheiro na cama. Acabou sem casa, sem esposa, sem vizinho. Comprou um caminhão e esta desde então virando o país de ponta a ponta. Já rodou da florida ao Alasca. De los Angeles a nova York. Pensando naquela situação da esposa ele fica deprimido. Com vontade de chorar. Quando vê na estrada uma garota de uns 18 anos, mas com cara de menos pedindo carona. Ele pondera “será que para? Esta estrada vazia e sem ninguém por perto, ela nunca vai conseguir carona”. E então parou. Botou a cara na janela e perguntou:
- Esta pedindo carona, minha jovem?
- Não, estou tentando morrer de fome aqui. Pode ser?
- Esta de piada. Sobe aí! Para aonde?
- Para bem longe. Dá para ser?
- É para lá que vou mesmo. Mas me diz, qual é sua idade? Você me parece bem jovem.
- Tenho idade o bastante tio. E você é um destes tarados que pegam pessoas na beira da estrada e fazem horrores? – e sorriu com MUITA malicia.
- Que é isso menina, me respeita... – e a jovem meteu a mão na radio e começou a procurar uma outra estação – opa, opa, opa. Aqui quem manda sou eu. Não mexe ai, não.
- Qual é seu nome, titio?
- John e o seu, menininha?
- Mary. O que tem ai na carreta titio?
- Cala esta boca. – a garota esta fuçando em tudo pela cabine do caminhão – não mexe ai garota.
- Nunca estive numa boleia de caminhão. Aquilo é uma cama ali atrás? Que legal isso é uma casa quase.
- Esta é minha casa – disse John a garota – e você é minha convidada.
A garota colocou numa radio de musica de jovem, britney spears, lilly Allen e amy winehouse. John começou a ficar incomodado com aquele lixo sonoro. A garota estava atirada na cama da boleia. Começou a arriar as calças, John só de olho pelo espelho retrovisor para garota que ficou só de calcinha e de camiseta. John ficou excitado mas estava na duvida. Ela parecia muito jovem e podia dar problemas sérios um movimento errado. Quando de repente ele encosta o caminhão no acostamento da estrada vazia. Já passava da uma e não tinha nenhum sinal de vida por quilômetros. Pulou para cama da boleia e baixou as calças. A garota sorriu e pegou no pau do John e fizeram sexo por horas. A garota caiu no sono depois e ele voltou ao volante. Depois de um tempo a garota acorda e fala:
- Titio, estou com fome. Encosta a vamos comer algo.
- Não sei. Não sei. Tenho que cumprir meu horário. Mas verei o que posso fazer.
Quando estava nascendo o sol John encostou num posto de gasolina e entraram. A Mary pediu panquecas, suco de laranja e depois sorvete se chocolate. John ficou no café preto sem açúcar. A garota comeu desvairadamente, parecia morta de fome e quando acabou falou:
- Eu estava lá ontem te esperando, sabia?
- Ah é? – John achando graça da piadinha.
- Sim, John Mcandrew, sua ex esposa, Julie me mandou estar lá.
- Julie, hein? Como anda ela?
- Não enrola, você não sabe de nada. Somos uma seita, seita macabra. Ela é nossa profetiza. Diz que você é o pai de todo mal do mundo. Que devia ser eliminado a todo custo em prol da humanidade.
- Esta Julie, cada vez mais doida. Hahahaha – deu gargalhadas – vamos embora. Já paguei a conta.
- Cala boca seu demônio. – e foram saindo do restaurante – você vai pagar por ter trazido o mal ao mundo.
No estacionamento do posto Mary saca um revolver 38 e da seis tiros em John e some correndo pela estrada. Chegam a policia, para-médicos e John antes de morrer diz:
- Aquela vaca louca me matou com minha arma. Julie, novamente a culpa é toda sua.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

moça dos cabelos castanhos


Moça do cabelo castanho preso
Que se benze quando passa em
Frente das igrejas. Se benza por você,
por mim e por meu pai alcoólatra doente
No hospital. Se benza pela humanidade
Podre que se destrói em guerras, em
Brigas estúpidas, em bairros, em casas,
Em casamentos, namoros e amizades
Sem propósito algum. Se destroem por
Raiva, vaidade, ciúmes e outras bobagens.
Que sua bênção salve nossas almas da
Tristeza que é o cotidiano sem sentido.
Amem moça do cabelo castanho preso.

15/01/2009
15:35

Omar dito

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

olhar perdido da puta


A puta do olhar perdido que
Olha a igreja e pensa
Na salvação da alma
Da lama da vida cotidiana.

Sexo sem prazer, dor sem doer;
Vida perdida, decidida. Procurando
Uma sorte melhor no mundo,
Senão neste no outro mundo.

Amor doente, doença com
Com personagens múltiplos.
Mente dividida entre o entra
E sai de clientes. Roubando-lhe
O sexo, estilhaçando a alma
Que dói atrás da mascara
De puta. Vadia que quer amor,
Sentimento, carinho num canto
Da mente que olha fixamente
A igreja do outro lado da rua.

05/01/2009
20:10hrs

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

violencia delivery



Musica alta, pensamentos alterados
Por vodka, mulheres e outras cositas...
Virando a madrugada atrás de um
Momento de paz no meio do inferno;
O anjo transformando os céus no
Caos urbano, soterrado na paranóia.

Trocando socos para pegar a ultima
Saída para o pesadelo da vida real,
Surrando o cérebro com doses cavalares
De estimulantes e doses maciças
De situações deprimentes e tristes
Que faz a paisagem no dia a dia.

Tela da televisão brilha 24 horas por dia
Numa sessão non stop de delírios
Estilo laranja mecânica,
Fazendo uma lavagem cerebral onde
Todos querem os 15 minutos de fama
Seja mostrando a bunda ou vendendo a alma.

Dez anos depois estou eu aqui lembrando
O absurdo da adolescência.
Sexo, violência, drama e drogas;
Loucura generalizada, paranóia para nós
Para você e para todos. Num local esquecido
Do passado encerrado, ponto final.

10/12/08
20:41hrs

sábado, 6 de dezembro de 2008

detetive lesma e seu passado negro


Chove chuva, chove sem parar. Cai o mundo lá fora, aqui dentro também. Hoje esta um dia para pensar, pensar e pensar. Pensar na Carminha. Minha atual namorada.Tivemos uma briga feia e não sei se voltaremos as boas, olhando para trás a culpa foi em boa parte minha. Conheci ela saindo com a irmã que era mais nova, mais bonita e menos inteligente. Lembro ate o que houve, estava ficando com Cidinha, a irmã, quando tive um caso de um molestador que tentou dar uns pegas na Carminha. Depois daquilo ficamos com um contato mais estreito, ela sempre muito agradecida e com um brilho de admiração no olho sempre que me via por ai. Então aconteceu, tive um caso meio bizarro e particularmente acho meio escroto, mas foi assim que a musica tocou. E bolso de vagabundo não dança valsa. Um camarada do bairro freqüentador de um batuque estava todo amarrado e o pai de santo sempre achava um exu tranca rua no caminho do rapaz. Bobagem para isso para mim, dá uns tabefes nestes “exus” que eles se endireitam. E destrancam a rua rapidinho. Mas este camarada, Robson estava devendo ate as cuecas sujas ao pai tomas. Belo nome para um pai de santo. O pai tomas começou a ameaçar o Robson, mandando avisos nada sutis que ele corria perigo, era sempre um despacho na porta do prédio dele, cheio de pipocas, milho, balas de mel, um espumante bem baratinho e as vezes pai tomas era mais extravagante e botava ate uma galinha morta (bela imagem pois era bem isso que ele era, um galinha morta). O rapaz que acreditava muito nisso tudo e via ali a causa de todos males que ele era acometido. Desde dor de dente ate briga com a namorada. E mais rezava mais assombração aparecia para ele, perdoem o trocadilho. Ele estava na época andando muito com Carminha e então um dia o passarinho cantou. E a musica era mais uma axé bem barato que uma sinfonia clássica. Cantou que era batuqueiro, que devia muito dinheiro a um pai de santo, que era despachos na porta do prédio toda sexta feira. Ate que tinha aquelas balinhas de mel, sabe quais? Então Carminha o trouxe ate meu escrotorio, como chamo meu escritório, este era o caso clássico das escrotidões que me aparecem aqui. Chegaram por volta de meio dia, numa quinta feira bem devagar,e eu estava lendo um livro de poemas do Charles bukowski viajando nos pensamentos quando bateram na porta, fui atender com um copo de vodka walessa na mão, e sem camisa. Quando vi a Carminha rapidamente tentei me arrumar, estava de mal com a cidinha, ela estava andando com uns pintas que...bom, já chega, estávamos brigados na época. Carminha apresentou o rapaz e disse:
- lesma este é o Robson, ele precisa de ajuda. E como tu me ajudou naquele caso...- e fica vermelha, de vergonha e faço gesto de “ah que é isso” – pensei que podia ajudar ele.
- Então rapaz, qual é o mal que lhe aflige? – ele me conta seu drama com o pai tomas – já pensou em ser católico? O único mal é a viadagem... – dou uma risada forte. Ninguém mais riu.
- Pois é, era mais ou menos isso. Carminha disse que tu podia me quebrar este galho!
- Quem quebra galho é macaco gordo – dei uma risada. De novo ninguém mais riu – mas vou te ajudar sim.
- Puxa obrigado. Muito obrigado mesmo. – pensei “obrigado nada, vai baixando as calcinhas” enquanto ele apertava minha mão repetidas vezes e emocionado.
- E a cidinha...- disse a Carminha – mandou lembranças...
- Deixa ela para lá...já estou em outra.
- Tchau lesma.
- Tchau para vocês.
E no dia seguinte comecei a cuidar do caso, era moleza. Só dar uma dura neste cara que ele se aquietava. Então fui ate o centro de umbanda do tal pai tomas, cheguei lá e pedi para um negra linda que chamasse o tal. Pediu que sentasse e esperasse pai tomas, que estava ocupado. Fiquei folheando um jornal de três dias atrás. Ate que anunciaram pai tomas iria me ver. Entrei numa salinha cheia de estatuas de santos, de tudo que era tipo. Puxei um cadeira e o homem falou:
- o que vai ser meu jovem?
- Eu estou aqui para...
- Já sei, brigou com a namorada. Quer fazer um trabalho para reconquistar a moça...esta na sua cara. Cara de quem esta deprimido, com o coração doendo.
- Puxa, isso mesmo. Acertou na mosca. Tu consegue me trazer minha namorada de volta?
- Claro, faço isso o dia todo. – diz pai tomas, com semblante de “ok, vamos lá” – me conta o motivo da briga.
- Bom, sabe como é, brigamos por que ela acha que sou vadio. Não tenho emprego e sou desmazelado. Ela quer mais estabilidade, manja patrão?
- Claro, isso esta na obvio. Este corpo de pau de virar tripa , esta cara de quem comeu e não gostou. E tu não tem emprego ainda por cima. Vai ser complicado. Mas pai tomas é garantido, - e me diz - cobro 100 reais para fazer o trabalho. Me passa o endereço dela que irei fazer um trabalho para ela voltar correndo para você. – dei o endereço de cidinha, e ele disse – no máximo em duas semanas ela estará a seus pés.
- Obrigado, meu bom senhor.
- Ate mais ver.
Saí dali voado e fiz uma ligações no celular para acerta umas pontas a caminho da locadora. Depois que cheguei no meu escrotorio, liguei o som e pus um cd do faith no more, pensando nas mulheres. Por que elas gostam de nos maltratar tanto, como diz aquele ditado chavão “não se pode viver com elas e não se pode viver sem elas”. Cidinha estava me maltratando. Mas tinha outras coisas em mente. Olhei para a frase no teto colada bem acima da minha cadeira "A única dignidade realmente autêntica é a que não diminui ante a indiferença dos outros". E é a mais absoluta verdade. Em dois dias recebi a ligação que esperava, saí do escrotorio e foi a casa de cindinha. Chegando lá encontro o pai tomas passando um papo na Carminha, dizendo que eu iria arranjar emprego logo logo, que eu não era tão desmazelado quando minha magreza mostrava e tinha cara de seriedade e não de quem comeu e não gostou. Quando entrei em cena pai tomas gelou, ou como diriam tremeu na base. Apareci ao lado de Robson, e dei uma dura no negão dizendo:
- olha aqui nego safado, este camarada esta todo fodido por sua causa. Fica tocando terror no coitado dia e noite com esta conversa de exus e sei lá mais o que. Deixa ele em paz, ou tomarei medidas drásticas. Manjou vovô? – e mostrei meu .45 para ele – estamos de acordo, não?
- Sim estamos – falou tremendo todo o batuqueiro e parecia que o coração ia sair pela boca – completamente de acordo.
- Olha aqui negão, se eu ouvir falar que apareceu uma ÚNICA bala de mel perto deste rapaz ate a próxima encarnação eu vou te ver e vamos bater um papo...cara de quem comeu e não gostou, mas vai te enxergar negão...
Ele foi embora, e ficamos eu Carminha e Robson que se desmontou em lagrimas de agradecimento. Quando estava saindo Carminha veio e me deu um abraço forte e neste momento dei um puta beijo na sua boca. Que arregalou os olhos mas devolveu o beijo. Combinamos sair no próximo final de semana.azar de Cidinha, mas como disse antes "já estou em outra". E estamos aqui ate hoje, ou estávamos. Carminha, por favor não me deixe. Como diria aquela musica “é nos filmes de amor que vejo as cenas de ação”

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

detetive lesma e o musico frustrado



Juremir esta na casa da namorada numero dois quando atende o celular, era Percival que tinha um negocio importante a tratar com ele sobre um possível compacto que incluiria uma composição de Juremir. Na casa antes de sair ele vai na cozinha da namorada numero dois, ele toma um copo de água e avisa que tem um negocio importante e sai apressado. A numero dois reclama quando ele esta na porta dizendo – ah, é a numero um né? Seu cachorro, a gente não se vê mais. Tenho saudade de ti Juju. – ele volta da um sorriso, beija a moça na testa e sai. Passasse uma semana quando Lesma recebe uma ligação no escrotorio:
- alo – do outro lado da linha fica em silencio mortal – vamos, alo? Estou com café no fogo.
- Sim, desculpe senhor. Não quero importuna-lo mas preciso de um detetive.
- Estamos aqui para isso moça, se olhar na porta do meu escritório diz isso mesmo “detetive particular”.
- Não tenho tempo para isso, seu moço, meu namorado sumiu há uma semana. Desconfio que ele tem outra. Talvez tenham fugido juntos...mas...
- Mas estou com café no fogo...deixe seu telefone que entrarei em contato em dez minutis...
- Ah, tudo bem – e a moça fala o numero – espero sua ligação.
- Pode deixar...dez minutis...
Lesma vai na cozinha passa o café, senta-se por um minuto saboreando o café com seu cigarro e pensa “hm...mais um caso de traição, nem devia aceitar isso, que merda. Ficar de tocaia em motel, bater 500 fotos do camarada com outra mulher, briga, separação. Talvez ate tenham filhotes, isso não é um trabalho digno. Mas azar, semana que vem vence o aluguel e o senhorio não acredita muito no comunismo. Vamos lá” e pega o telefone e liga para moça que atende impaciente:
- o senhor disse dez minutos...senhor Lesma.
- não, eu disse minutis...demora um pouco mais que minutos...hahaha.
- não estou de piada senhor, meu namorado, alias meu noivo, alias meu quase marido sumiu. Acho que fugiu com outra e isso não é motivo de piada.
- Talvez não para você moça...mas aposto que o canalha esta dando boas risadas, se de fato fugiu com outra. Anote meu endereço e nos falaremos melhor. – e ele passou o endereço – mas fique na boa, se fugiu eu pego ele para senhora e trago algemado...ate breve.(risos)
- ...
- qual é sua graça mesmo moça?
- Vera, mas todos me chamam de Verinha...
- Ate mais...
Em trinta minutos uma moça mais ou menos feia, lembrava um pouco aquela atriz Sarah Silverman, mas uma versão bizarra da mesma bateu a porta do nosso detetive, que abriu com um sorriso no rosto e a garota foi entrando. Ele se sentou atrás de sua mesa, pegou um marlboro e a térmica do café e servindo-se de outra xícara disse a moça;
- dona, aposto que seu namorado, noivo ou marido ou sei lá o que esta só curtindo uma farra. Mas aposto que ele volta. Não esquente a cabeça.
- Você não entende, eu sei que ele tem outras. Mas nunca sumiu uma semana toda. Ele é musico, o senhor sabe eles tem destas. Mas sumir assim, NUNCA. Juremir pode ser meio canalha, mas é direito!!!
- Meio canalha, esta é nova. Mas diga ele é musico?
- Sim senhor, ele canta numa banda de relativo sucesso no bairro e ate mesmo na cidade. O senhor deve ter ouvido falar deles “puta pedra”...
- Ahhh sei sim...já ouvi falar deles. Mas então ele canta nesta banda? – a moça concorda com a cabeça – não me surpreende que tenha outras, mas se você esta tão preocupada vou atrás dele para você. Sabe aonde eles ensaiam?
A moça deu o nome do estúdio e a hora do ensaio. Lesma saiu da casa de Carminha mais ou menos tarde, a mãe da namorada tinha feito o prato favorito de Lesma, lasanha de porco. E ele ficou de papo um tempo com os sogros e esqueceu o serviço. Quando lembrou saiu correndo, chegou no estúdio lá pela quarta musica do grupo que tocava sem o vocalista. Ficou olhando pelo vidro o grupo tocar sob o olhar atento do dono do estúdio que estava meio puto de ter um estranho com cara de policia no seu estabelecimento. Então o dono falou assim, com uma raiva notória na sua voz:
- quem é o tu mesmo, meu amigo?
- Estou a serviço, me contrataram para achar o Juremir. Estou atrás dele, vim falar com a banda.
- Esta atrás do rapaz por que? Ele fez algum mal a alguém?
- A namorada dele me contratou, diz que ele sumiu. Eu não sei de nada, mas quero muito saber. Pode me ajudar, camarada?
- Namorada? Qual delas? A numero um, dois ou talvez ele ate tenha uma três ou quatro...hahaha.
- Creio que é a numero um, não saberia dizer. Então ele é tão fera assim?; disse Lesma sorrindo com alguma cumplicidade para o dono da estúdio.
- Opa se é, mas se foi a Silvinha Silvicula deixa para lá. Ela vive reclamando que ele não aparece mais. Fica só com as outras....hahaha.
- Silvinha Silvicula?
- Hahaha pergunte ao Juremir o por que disso!!
- Sabe o endereço da dona Silvinha?
- Claro, mas duvido que ache ele por lá... – e o jovem anotou um endereço e passou ao detetive – mas espera aí um minuto. Se foi a silvinha que te contratou como não sabe o endereço dela?; e o jovem novamente fechou a cara.
- Como você mesmo disse, ele tem varias...estou atrás dele, só isso.
E saiu para fora do estúdio e deixou o grupo ensaiando e rumou para a casa desta jovem, que apesar da indicação que não estaria lá acreditava que encontraria o Juremir por lá. Andando pela rua, pensando no caso Lesma se perdeu pelas ruas quando viu não sabia aonde estava mais. Parou num bar que estava aberto sentou e pediu um cerveja, mas bem gelada. E veio ate o copo tirado da geladeira. Ele serviu um pouco e acendeu um cigarro e olhando para o nada ficou pensando “se esta camarada tem varias, como vou achar este cara!!sei só de duas, o rapaz lá disse que podia haver três ou quatro namoradas. Acho que seria mais fácil convencer o senhorio que o comunismo é uma boa” e bebeu sua cerveja. Acabou voltando para casa, ou melhor seu escritório que era também sua residência. No dia seguinte por volta de meio dia Carminha o acorda, se abraça no namorado que esta frustrado com o caso que trabalha. Ele fala para ela a situação que o aflige e da um beijinho na ponta do nariz dele e diz que vai dar certo. Ele toma um banho, põe seu casacão e sai para casa de Silvinha. Chegando lá encontra a moça muito bem acompanhada por um rapaz jovem, forte, bronzeado que quando bate o olho no lesma fica acabrunhado. Lesma pergunta ao rapaz “você é o Juremir?” ele fecha a cara e sai dizendo que é melhor ele falar com a Silvinha em particular e sai da sala. Lesma começa de maneira muito gentil e explica o que se passa, ao passo que a moça responde:
- não sei dele, faz mais de uma semana, quando ele veio aqui pela ultima vez ficou só um minuto recebeu uma ligação e saiu correndo. Estava com tanta pressa que deixou o celular na cozinha ao lado do copo de água que tomou.
- Ah ele deixou o celular? Aonde esta ele, poderia me mostrar?
- Claro – e a moça vai ate o quarto e trás o celular na mão – aqui esta.
- Alguém mexeu nele? – a moça faz sinal que não – hm, então a ultimo contato dele deve estar aqui.
Lesma liga de volta para os ultimo números gravados no telefone, ninguém ouviu falar de Juremir há algum tempo. Mas uma das chamadas deixou ele com a pulga atrás da orelha, o camarada ficou meio nervoso de perguntarem pelo jovem vocalista promissor. Perguntou a Silvinha quem era o rapaz que atendeu ela disse que era Percival, um amigo meio esquisito do Juremir que estava fazendo um disco de forma independente e lesma pediu o endereço do rapaz. Chegou na casa de Percival e tocou a campainha o rapaz abriu a porta mas deixou a corrente na porta perguntando quem era, o que queria sobre o que se travava. Lesma explicou o caso e acabou forçando a entrada no apartamento. Percival estava todo nervoso lesma puxou um papo sobre o disco que ouviu falar que ele estaria fazendo. Mais coisas sem nexo. Lesma começou a perambular pelo apartamento do rapaz quando ele foi buscar uma água que Lesma pediu. Ate que abriu a porta do quarto e encontrou Juremir amarrado, amordaçado num canto do pequeno quarto. O outro veio correndo gritando que ele não podia entrar ali, mas era tarde demais. Lesma deu uma chave de braço em Percival e o forçou a soltar o Juremir. Ai foi a vez de Percival ser amarrado e amordaçado. Lesma perguntou se estava tudo bem com Juremir, que disse:
- agora sim, meu deus, que loucura isso!! Estou preso aqui a uma semana...
- Este cara é viado? Para te manter refém desta maneira?
- Não, quer dizer acho que é. Mas não me molestou...ele estava me forçando a fazer um disco todo para ele. Disse que só me soltava depois de ter alguma coisa para mostrar. Ele é um musico frustrado.
- Puta que pariu! Que loucura isso! – disse Lesma – agora quero ver você tocar seu violão no xadrez seu desgraçado.
Chegou a policia, cumpriu seu dever e levaram Percival para aonde o filho chora e a mãe não vê. E lesma ficou com Juremir para entregar a encomenda e pegar seu cheque. Chegou na casa da numero um que chorou, bateu gritou com Juremir que explicou o que tinha havido. Todos ficaram chocados na casa de Verinha. Lesma foi embora pensando que não seria este mês que daria ao seu senhorio uma copia de “o capital” de Karl Marx. Mas no próximo quem sabe?

20/11/2008
17:46hrs

terça-feira, 18 de novembro de 2008

o artista nu



De chinelas as duas da tarde
Fumando um marlboro
E bebendo uma cerveja,
Quando não deveria.
Gravando um filme qualquer no vídeo,
Matando as horas para elas não me matarem.

Barba por fazer, sem almoçar
Apesar de serem três horas da tarde.
O único terno que tenho ganhei
Para o casamento da minha irmã.
Patético, não?
A vida é degradante e patética.

Acordar antes do meio dia
Não acontece há mais de dez anos;
Dormir antes das duas não acontece
Há mais de quinze anos.
Artista faminto?não, tenho boa comida
Bebida a vontade e vontade de parar de beber.

Este é o retrato do artista nu.
Na sua magnanimidade,
Dentro da sua insignificância
No mundo, na cidade e no seu intimo.
Se você aí do outro lado me acha um artista,
Sou tanto quanto você, neste teatro da vida.

18/11/2008
15:06 hrs

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Cu de Miss


Junior caminhando pela rua da praia; seis da tarde de sexta feira. Começo do verão em porto alegre, calor para cacete. Sobe em direção a praça don Feliciano para pegar o ônibus de volta para casa. Esfrega as mãos, calor, verão, mulheres com micro saias, mini blusas, final de semana, churrasco com os amigo e cerveja muito gelada. Fica divagando sobre esta excelente perspectiva no ponto do ônibus enquanto ele não chega. Fila começa a se formar atrás dele, em poucos minutos varias pessoas estão atrás dele. Chega o ônibus todos entram e se arrumam nos assentos. Isso ate parece aquela brincadeira que faziam no colégio, a professora põe um disco e para no meio e todos tem que pegar uma cadeira, quem não consegue perdeu, esta fora. Junior esta sentado na janela, mas cuida quem esta entrando ainda no ônibus. E nota uma garota de 16, 17 anos com uma pasta na mão, cabelo preto preso em rabo de cavalo que não era bonita nem feia, mas fazia o tipo de Junior. A senhora que sentou ao lado de Junior puxa papo falando que tinha ido visitar o marido na santa casa, ele estava muito doente etc...Junior nem ouvia, só olhava para esta jovem de pé ao lado de seu acento. Junior pede desculpas a senhora e oferece o lugar a moça, que a principio fica sem jeito para aceitar, mas acaba sentando. A senhora agora puxa papo com a moça que só concorda com tudo que a velha diz e volta e meia troca um olhar com Junior. Chega o ponto da velha que se despede e abre espaço para Junior sentar ao lado da garota. Depois de alguns momentos de constrangimento mutuo eles engatam numa conversa agradável sobre o show do R.E.M. que houve a algumas semanas, o nome da garota era Christiana – mas pode me chamar de chris, todos me chamam assim – Junior disse que não tinha ido mas tinha ouvido quase todo show do pátio da casa, que ficava perto do estádio do Zequinha. Chris disse que tinha ido e gostado bastante. E não era todos dias que vinham bandas desta importância a porto alegre, Junior comentou que o ultimo show de grandes bandas que tinha ido era o Metallica em 98. estava chegando o ponto aonde Junior tinha que descer e quando fui se despedir viu que era o mesmo ponto de chris. Junior surpreso com a agradável coincidência falou:
- puxa, tu mora por aqui? Nunca te vi pelo bairro.
- Moro aqui a pouco tempo, vim do interior para fazer faculdade aqui em porto alegre.
- Hm, interior? Aonde?
- Dois irmãos.
- Há, legal...
- Médio, não gostava de lá. Aqui é muito melhor.
- Olha, não quer me dar seu telefone para nos falarmos com mais tempo?
- Eu moro com uma senhora, meio tia, ela é muito chata. Não gosta que eu...sabe? me da seu telefone, se não for problema.
- Não é não, - e anota o numero numa folha do caderno que chris tinha na pasta – sei como são estas senhoras, nos falamos, foi um prazer te conhecer..tchau.
- O mesmo, tchau.
Algumas semanas depois, Junior seguiu sua rotina, já tinha praticamente esquecido aquele encontro. Trabalho, churrascos, futebol aquele agradável encontro já não estava mais nas lembranças. Ate que chegando em casa a mãe dele avisa que ligaram para ele, não deixaram o telefone mas falaram que ligariam de novo. Junior não deu bola, foi para o quarto botou a roupa de jogar bola e saiu. Os amigos dele jogavam futebol todas quartas numa cancha ali perto. Jogo pegado, duro e nada amistoso para dois times de amigos. Junior se machucou numa disputa de bola e veio para casa mais cedo, perdeu o tradicional churrasco pós jogo. Chegou em casa tomou um banho e pôs gelo no joelho. Ele estava sozinho em casa, fez um sanduíche e sentou para ver televisão quando tocou o telefone:
- alô?
- Quem fala?
- Junior, quem fala aí?
- Ah, oi. Junior? Eu sou a chris. Nos conhecemos no ônibus estes dias, lembra?
- Lembro, lembro sim – mentira, Junior não lembrava – mas e ai, tudo bem?
Conversaram amenidades, trocaram impressões sobre bandas. Filmes,só papo furado. Mas interessante mesmo assim. Combinaram de se verem na sexta para tomar uma cerveja e comer alguma coisa num barzinho. A expectativa de Junior era zero, nem lembrava da cara da garota. Mas como dizem “estamos ai, não é?”. Chega a sexta, Junior já saiu atrasado de casa tinha esquecido o maldito encontro e tinha ficado jogando playstation. Tomou um banho rápido, jogou um pano por cima do corpo e lá foi ele. O raio do ônibus demorou e teve que tomar uma táxi, pois já estava super atrasado. Morreu em quase 15 reais nessa brincadeira. Chegando lá chris já estava esperando há uns 40 minutos e estava uma fera. Junior já chegou se desculpando:
- puxa chris, desculpe. Minha mãe estava super doente, tive que ficar cuidando dela e dar atenção. Mil perdoes.
- Hm...mãe, sei. Mas estava quase indo embora, achei que não viria mais. – disse ela com fúria nos olhos verdes. – isso é coisa que se faça, dar um bolo assim?
- Poxa, minha mãezinha doente...desculpe mesmo. Mas então vai beber alguma coisa? – e chama o garçon – eu vou querer um Hi-Fi, capricha na vodka, hein chefia? E tu, chris, vai querer o que mesmo?
- Coca cola, sem gelo.
- Coca não tem – avisa o garçon – só pepsi ou guaraná.
- Guaraná então...
- E garçon, aquela dose de vodka, viu? – gritou Junior quando o garçon ia indo embora – então chris, o que tu me conta?
- Nada, já estava indo embora mesmo.
- Ah que é isso, garota...já pedi desculpas...tu estuda o que mesmo?
- Medicina, na UFRGS...- disse ela totalmente irritada – quero ser cirurgia plástica.
- Putz, acho isso uma coisa de doente, cirurgia plástica. Tem que aceitar o corpo como ele é. Nunca ouviu falar de gente que para ter barriguinha morre na mesa de cirurgia?
- ...
foram chegando vodkas e mais vodkas, e Junior estava só dando bolas fora com a garota. Quando chegou meia noite ele estava totalmente alcoolizado e a chris puta da cara. Acabaram a noite pela metade. Ela jurou nunca mais ver ele nem pintado de ouro. Junior entrou num táxi e a cada 15 metros mandava o motorista parar para ele vomitar no cordão da calçada. Quando chegaram na porta da casa do rapaz o motorista puto da cara queria cobrar a mais pela sujeira que ele fez no táxi, xingou o coitado fez um escândalo que acordou alguns vizinhos. Junior entrou, bebeu um copo de água e se atirou na cama. O helicóptero como dizem estava zunindo na cabeça do rapaz. Vomitou mais algumas vezes num balde ao lado da cama. No dia seguinte o que havia acontecido era um mistério para ele. Quando se lembrou quase teve um ataque, como ele podia ter dado tanta bola fora com uma moça que era bem jeitosa. Passaram algumas semanas, Junior já havia se recuperado do vexame. Aquilo era artigo do passado. Voltou tudo ao normal, trabalho, ônibus lotado, churrasco, futebol. Um dia Junior chegou em casa e foi jantar na cozinha, ligou na band e ficou vendo o jornal da televisão. Estava noticiando o miss rio grande do sul, mulher bonita é sempre bom de se ver, mesmo que na televisão. Quando estavam mostrando as misses veio o choque, a miss dois irmãos era a christina. Ai voltou todo o vexame daquela noite e a bobagem incrível que foi fazer aquilo, hoje ele podia ser namorado de uma miss. Mas como o papel de otário que ele fez aquele dia isso era um verdadeiro cu de miss.

12/11/08
16:26hrs